A bênção da água

“Água que nasce na fonte serena do mundo,
e que abre um profundo grotão,
Água que faz inocente riacho
e deságua na corrente do ribeirão,
Águas escuras dos rios
que levam a fertilidade ao sertão,
Águas que banham aldeias
e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas,
ronco de trovão,
E depois dormem tranqüilas no leito dos lagos,
no leito dos lagos…”

Vista da janela do meu quarto

Depois de ter em casa essa coisa maravilhosa que é um minadouro de água mineral, e que me faz dormir ouvindo o barulhinho que só quem conhece sabe como é gostoso, foi simplesmente uma tortura ficar dependendo de baldes com a água clorada da EMBASA, não somente pra tomar banho, cozinhar, beber e usar para a limpeza da casa.

Vista da minha cozinha no fds.

Foram apenas 3 dias (apenas???) que a criatura que deveria consertar a bomba (que joga a água do tanque no térreo para a caixa no 3° andar) demorou para trazê-la de volta. Mas pareceu uma eternidade. Junte a isso o fato de estar um tempo feio (frio e chuvoso) e ter que tomar banho de balde, esquentando água, sem poder lavar a cabeça direito como é de lei, diariamente… e a gripe, que já me deixou completamente desorientada, e com a suadeira da febre passando… foi realmente um tempo maior do que o suportável.

E nesses três dias de “martírio”, eu pude imaginar o que é viver desse jeito. Todos os dias. Carregando baldes de água, que muitas vezes nem é limpa… ou esperando que a “água da rua” “caia” – o que geralmente acontece nos horários mais inconvenientes (das 3h às 5:30h da manhã, por exemplo). No meu trabalho recebo quase que diariamente telefonemas de pessoas que reclamam da “dona Embasa”, por ficarem semanas sem água, e o pior – recebendo em dia a conta para pagar. Sempre fui solidária a elas, e faço o possível pra que as reclamações cheguem a quem de direito o mais rápido possível… mas depois desse final de semana (ah, ia esquecendo de dizer, que essa agonia toda foi de sexta a segunda) vou brigar ainda mais!

“Água dos igarapés,
onde Iara, a mãe d’água é misteriosa canção

Água que o sol evapora, pro céu vai embora,
virar nuvem de algodão

Gotas de água da chuva,
alegre arco-íris sobre a plantação

Gotas de água da chuva, tão tristes,
são lágrimas na inundação

Águas que movem moinhos
são as mesmas águas que encharcam o chão

E sempre voltam humildes pro fundo da terra,
pro fundo da terra.”

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