Lampião, 70 anos depois

Hoje, 28 de julho, além de ser o aniversário de Itabuna e de Paulo Afonso, também é o aniversário de morte de Lampião. Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, o Rei do Cangaço. Na verdade, o aniversário de Paulo Afonso, cidade em que nasceu Maria Bonita, é uma homenagem à data da morte do casal de cangaceiros.

Incrível como existem controvérsias acerca de uma figura que nem tem tanto tempo assim que se foi.

A série Lampião e Maria Bonita, exibida pela Globo em 1982 mostrava um homem apaixonado e de certa forma sentimental. Nada parecido com as informações de historiadores, que dizem que em 1923 ele deu início ao estupro coletivo (25 cangaceiros participaram) da mulher do delegado de Bonito de Santa Fé (PE).

Segundo consta, tudo começou quando seus pais foram assassinados diante dos filhos, por um coronel. Era 1915 e Virgulino tinha 18 anos. “Vou matar até morrer”, foi a jura. E cumpriu. Matou o quanto quis e pôde, para alimentar sua sede de vingança… e sua vaidade. Sim, só usava perfume francês, e os dedos eram repletos de anéis de ouro, frutos dos saques que fazia pelo sertão nordestino. E no pescoço o lenço era preso com um “anel de doutor advogado”.

Não se pode dizer ao certo quem foi este homem – que se tornou um mito – mas o sentimento que ele me causa é o de repulsa. E ver, como vi hoje na TV, que a Fazenda Anjico, a casa onde ele morava, se tornou ponto turístico onde o cangaceiro é visto como herói, me deixou enauseada. Herói de quê? Lutou contra o quê? Conquistou o quê? O Portal G1 além de divulgar o “evento ecumênico” em memória dos cangaceiros mortos, criou até um blog G1 no Cangaço. Pra dizer o quê? Pra bater palmas pros grandes feitos de Lampião? Ora, me bata um abacate! E um sobrinho de Maria Bonita vem com historinha de dizer que Lampião era uma pessoa boa também. Ele fazia o bem para muita gente. Ele foi transformado em um homem violento e agressivo por conta das histórias contadas apenas pela volante [polícia da época], mas isso não era a pura verdade.” Tá, sei.

Sinto muito, eu não sou boazinha ao ponto de transformar em santo qualquer um só porque morreu. O cabra era uma peste, literalmente. Matava por gosto e por vontade. Não precisava dar motivo, mas se desse… era melhor. Exigia ser fotografado a toda hora, pela vaidade e exibicionismo entranhados em si. Aqui pra nós, acho que mereceu a morte que teve. (Agora vão querer a minha cabeça, porque eu, politicamente incorreta, disse isso aqui.) E foi devidamente fotografado, quero dizer, a cabeça foi devidamente fotografada, como prova. (Quem quiser ver a foto macabra, clique aqui).

A ação da “volante” não deixava barato, não. Matava cangaceiros também, o que não a torna muito pior do que a polícia de hoje… E dizem que em muitas cidades a volante chegava, saqueava e matava, depois punha a culpa no bando de Lampião e ficava tudo certo. Essa situação parece familiar?

De minha parte, lamento esse pedaço da história do Brasil. Triste, doloroso, trágico.

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