Vou voltar…

“…Sei que ainda vou voltar para o meu lugar,

foi lá e é ainda lá que eu hei de ouvir cantar uma sabiá…”

 

Amanhã estou juntando as trouxas e voltando pra casa. Estou ansiosa por estar no meu lugar, sem me sentir à toa, sem um canto pra chamar de meu. Gostei de poder ter vindo e acompanhar a cirurgia do meu filhote, nem imagino como seria se não viesse. Tanto pra ele quanto pra mim, por motivos diferentes, teria sido igualmente horrível. Mas, enfim, passou, o pior passou. As primeiras noites foram muito difíceis, a agonia de saber se tinha dado tudo certo… Agora já dá pra respirar fundo e sentir o alívio.

Gostei também de ver o apto de Line, bem a carinha dela mesmo, cheio de detalhes de decoração, dignos de uma designer. Tirei menos fotos com ela do que eu goataria, mas acho que a distância fez com que ela esquecesse que era minha modelo exclusiva e agora ela tem vergonha da minha câmera. Mas tudo bem, foi bem gostoso dormir junto, fazer guerra de travesseiro, sair pra procurar apartamento, ter crise de riso, pirraçar e ser pirraçada, comer pizza nas três refeições… só não foi gostoso dizer tchau. Mas me fiz de forte e só repeti: “se comporte!” e é claro, “Deus te abençoe”.

Estou voltando com a mochila mais leve, deixei algumas coisas aqui e não estou levando nada novo a não ser a sapatilha que Line me deu,  ganha numa promoção nãoseideque mas que não coube no pé dela e ficou certinha no meu. Ah, e os livros trazidos voltam todos do jeitinho que vieram. Não abri nem unzinho, que vergonha! Não vou mentir dizendo que não tive tempo, não tive foi saco coragem mesmo (e muitas vezes perdi tempo no joguinho tetris que tem aí embaixo, depois de todos os posts!)

Tem muita coisa que eu fiquei com vontade de comentar aqui, mas prefiro deixar quieto. A posição de ex-nora, ex-cunhada e ex-mulher não é nada confortável, especialmente se tem coisas que não foram ditas e não se sabe o que foi dito, na verdade. Mas os dez dias se passaram e conseguimos – todos – manter a linha, a boa convivência e a superficialidade nas conversas. Ninguém me perguntou nada da minha vida e eu não disse o que ninguém perguntou, da mesma maneira que não perguntei da vida de ninguém. Crei que fiz o que tinha que fazer, e em nome dos filhos a gente faz até muito mais. E por eles mesmos, certos laços nunca se desfarão.

Amanhã a essa hora não estarei mais me sentindo num não-lugar (sem senso de pertencimento), e, muito pelo contrário, estarei cuidada e aconchegada nos braços de quem me espera. É claro que o coração estará novamente cheio de saudade, mas que se pode fazer? A gente não pode ter tudo na vida!

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