“Prosa e Poesia” – Elaine Gaspareto

Continuando a série de publicação dos contos finalistas do Concurso de 4º aniversário do Deixoler, hoje trago para vocês um dos quatro contos enviados pela Elaine, Prosa e Poesia.

Quando era menina Marina vivia escrevendo poemas em cada pedacinho de papel que lhe caía em mãos. Com o tempo seus poemas podiam ser encontrados nos lugares mais inesperados: debaixo de almofadas, nas dobras dos lençóis, nos potes de farinha. Eram poemas curtinhos, que falavam de um amor bonito, que sempre dava certo, que sempre era feliz no final.

Marina cresceu. Os poemas passaram a ser escritos em agendas cor de rosa, que Marina guardava bem escondidas, pois poemas adolescentes contêm segredos… Marina começou a desejar viver um amor como os que ela descrevia em seus poemas.

Então ela conheceu o menino mais bonito do mundo. Todo poema parecia pálido para descrever tanto amor, tanto querer e tanto desejar.

Marina engravidou aos 17 anos. Aos 20 teve o segundo filho. Os poemas agora falavam de solidão e de medo. Medo de engravidar outra vez, medo do menino mais bonito do mundo ir embora. Mas o menino mais bonito do mundo não pensava em ir embora. Ao invés disso ele passava o tempo todo maravilhado com aquela esposa tão bela, tão cheia de poesia; começou a escrever coisas para ela. Não era poesia, era prosa. Escrevia romances possíveis, falava do amor imenso e lindo dele pela poesia dela. Falava dos filhos perpetuando tanto amor, tanto querer.

Com o tempo seus contos começaram a ser encontrados em lugares inesperados: na gaveta das fraldas do bebê, nas toalhas de mesa, nos potes de farinha.

Quando o filho mais velho foi à escola pela primeira vez o pai comprou para si um caderno de bichinhos igual ao do menino. Caprichava na letra para que o filho pudesse ler um dia. E a poesia dela mudou novamente. Falava de alegria, da festa que era a casa. Voltou a falar de amores felizes. Falava do amor que dava certo.
Os filhos cresceram e aprenderam a ler através do caderno de bichinhos tantas vezes renovado do pai e da agenda cor de rosa da mãe. A poetisa e o menino mais bonito do mundo vivem felizes para sempre.

Ontem publicaram o terceiro livro escrito a quatro mãos: metade prosa, metade poesia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s