Mary and Max

Sábado fui com Line e Bernardo assistir Mary and Max no cinema da Fundação Joaquim Nabuco. A única coisa que eu sabia do filme era que era de animação, e sobre a correspondência entre uma garotinha e um “velho”.  Se você não assistiu, pretende ainda assistir e não aguenta spoiler, pare agora e feche a página.

Escrito e dirigido por Adam Eliott (nunca vi mais gordo), o filme é chamado pela crítica de “animação depressiva”. Eu discordo. Apesar de apresentar duas pessoas desajustadas, cada uma a seu modo, faz a gente rir. Talvez essa seja a grande lição do filme: É possível sorrir das desgraças, mesmo que elas sejam nossas. Sim, porque é impossível não de identificar com as personagens em muitos momentos.

Um narrador onisciente mostra o mundo pelos olhos de Mary, uma garotinha de 8 anos que mora na Austrália e de Max, um “velho” de 44 anos, obeso e  que mora em New York.

Mary tem pais complicados: uma mãe que vive bêbada e pratica pequenos furtos no mercado (e explica para a menina que só está “pegando emprestado”) e um pai que além do trabalho comum, empalha animais. A visão que a menina tem de sua família é distorcida, mas ela percebe que não devia ser assim. Mary sofre de bullying na escola, é apaixonada pelo vizinho, tímida ao extremo e meio como Bob do Fantástico Mundo de Bob ela cria sua realidade particular.

Max me pareceu ter um tipo de autismo, e diz que ele tem Síndrome de Asperger, que acabei de ver que é mesmo uma desordem mental no espectro do autismo. Um dos sintomas citados na wikipéida é bastante visualizado no filme: “Frequentemente, possui um Q.I. verbal significativamente mais elevado que o não-verbal”. Max não reconhecia as expressões faciais das pessoas, nem mesmo a sua própria. Veja a expliação que ele dá, numa das cartas:

O filme, feito em Stop Motion (fotografado quadro a quadro) segue na linha de “Nunca te vi, sempre te amei”, um dos meus filmes preferidos, com encontros e desencontros, com momentos de amor explícito e desentendimento que custa a ambos anos de solidão e tristeza. É na correspondência com Max que Mary procura compreender suas grandes questões, como “de onde vem os bebês”, e Max encontra em Mary a amizade que nunca encontrou na vida.

É interessante como eles partilham gostos, como o chocolate, e sentimentos. Outra coisa que Adam Eliott fez que eu gostei muito foi quanto às cores. Em NY é tudo em tons de cinza, e em Melbourne tudo é em sépia. Nos dois ambientes a única cor que se destaca é o vermelho.

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É, contado assim parece mesmo uma animação depressiva. Mas no fundo, no fundo, não achei não. Mesmo tendo ficado com vontade de chorar no começo, no meio e no fim. Fim.

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  1. Ei, Bel!
    Eu vi Mary e Max e amei. Pra mim, o melhor do filme foi mesmo a frase do final: Deus nos deu uma família. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos.
    Cai perfeitamente pra mim.
    O filme me fez rir, chorar e sair do cinema com o coração bem grande.
    Bjo!

    • Eu não comentei essa parte porque pra mim, thanks God, não cabe. E, sabe, a frase não estava traduzida, na cópia que assisti!
      Beijo, querida AMIGA!

  2. Por ver as imagens assim, já achei depressivo (psicológico condicionado, auahuahauhauh). Só comentei pq achei uma coisa interessante: qdo bem novinha, arranjei um amor à distância. Sem ver, sem conhecer, e lógico que deu errado – meus amores andam com cisma de dar errado não é de hoje, hahahaha…mas enfim. Na época, por acaso, li um livro chamado Ana e Pedro que, não só é no estilo, como cita o ‘Nunca te vi, sempre te amei’. Procurei pra saber, me disseram que era um livro que virou filme…na época não tinha esse bum da internet e, minha curiosidade acabou caindo no esquecimento. Agora vc comentou e, além de me sentir aliviada – será q eu era a única q conhecia, meu deus?rs – tb lembrei, pra procurar. Quem sabe?

    😉

    • Não entendi… vc achava que ninguém conhecia o filme??? Foi “o maior sucesso” numa época aí atrás, que eu não lembro qual. E é “um clássico”, no sentido da palavra. Choro só de pensar nele…

  3. Pois é!!! Chorei…chorei…chorei…escondido. Por dentro! Mas deixei escorrer uma lágrima no fim, para não encolher e sumir…Renatinho estava comigo e me estranhou…

    Beijo, saudade.

    • Eu chorei por dentro… E fiquei com vontade de assistir de novo. Se sair em DVD, lóooogico que vou comprar. Ou baixar da net, sem dó nem piedade.
      Beijo, saudadeeeee

    • Ih, Ivana, eu acho que sim. Aqui em Recife só estava no cinema da Fundação. Mas bode baixar da internet, inclusive em HD! Pai Google ajuda! ;
      Bjoooo

  4. Assisti ontem e… Simplesmente um lindo e muitíssimo bem elaborado filme, que não teve a repercussão que merecia. Eu me fixei tanto na história que nem reparei nos lances das cores, para mim estava tudo colorido! 😛 O final achei meio trágico, mas não poderia ser diferente. E sim, tive momentos de “travar a garganta”! O paralelo que eu descrevo em relação à Amélie, é , de forma generalizada, o mundo através dos olhos de um solitário. Que bom que não fui só eu a me achar parecido com eles! HAHA
    Bjo, Titia! 😛

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