Ouvi por aí…

Na verdade foi no desenho “Os pinguins de Madagascar”. O filme eu até gostei, mas essa continuação é irritante. Vê só a fala de um deles, quando alguém sugere que no zoo tenha câmeras para transmitir o dia-a-dia dos bichos:

“O computador é uma coisa que os homens inventaram PARA NÃO TRABALHAR, e serve especialmente para ver esses vídeos idiotas”

Sei que eu não assisti o desenho até o fim, espero que o roteirista mostre que o computador não é só isso, mas uma frase dessas entra no ouvido de uma criança e pode ficar como verdade no subconsciente, e essa criança vai enxergando o computador apenas como um instrumento de lazer e diversão.

A Geração Y precisa se acostumar a ver o computador como uma ferramenta para facilitar a vida, seja no trabalho, nos relacionamentos, nos hobbies a sério e na diversão também. Nossas crianças já nascem convivendo com os computadores nas salas de parto, nem conseguem imaginar a vida sem eles, e isso é bom. Têm mais controle no mouse e percepção das funcionalidades da máquina do que a Geração A (de Analógica, como disse Marta), mas é mesmo necessário que usem isso pro bem, e não pra se viciarem em coisas que erroneamente são chamadas de diversão.

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  1. As animações, às vezes, pisam na bola com as crianças, quando tentam fazer piada pros adultos. Adultos sabem quanto trabalho em computadores é necessário para criar um filme como Madagascar, mas as crianças nem pensam nisso e podem sim levar a piada a sério.
    Beijos, Bel!

  2. Anabel, quando passar pela UESC procure a monografia “Do entretenimento à produção de significado: analisando Os Simpsons”, de minha autoria.
    Me revirei ao ler que atribuiu a um desenho animado a responsabilidade de formar significados aos pequenos espectadores. O desenho não dispõe, conforme Philip Dubois, de “autoridade para afirmar”. O espectador entende que aquela obra é uma paródia/comédia/escracho e não toma a mesma como verdadeira.
    Portanto, deixe os pinguins em paz, pois o desenho é muito bom!
    Se continuar falando mal do desenho sem fundamentos científicos, Kowalski elaborará um plano e mandará o Rico visitar seu blog…e: Kabum!

    • Felipe:
      Você “se revirou” e eu precisei de tempo pra lhe responder com calma. Depois de tantas discussões na Academia, eu é que me espanto de um comunicólogo não crer no poder da mídia.

      Não sou dos “Apocalípticos” de Eco, mas vejo – cientifica e empiricamente – a força da TV na formação de opinião. Você diz “O espectador entende que aquela obra é uma paródia/comédia/escracho e não toma a mesma como verdadeira” e se esquece de que eu coloquei que o espectador é uma CRIANÇA, e que entender a piada como piada é algo que depende de toda a bagagem trazida por ela – que a essa altura da vida ainda não é tão grande.

      Dubois pode dizer que o desenho não dispõe de “autoridade para afirmar”, mas quem dará a quem essa autoridade? Penso que a mão que liga e desliga a TV é que decide. E se a criança vê os pais (ou adultos em geral) acreditando na TV na hora dos telejornais, e se emocionando com filmes, se revoltando com notícias… por que ela irá descartar o que ouve nos desenhos, “entendendo que é paródia/comédia /escracho”??? Sinto muito, não creio que seja assim.

      Minha preocupação, conforme colocadaq no post, é de que aquilo que entra pelos ouvidos infantis, inocentes e não-críticos, seja sedimentado em seu subconsciente como verdade. Voce defende o desenho querendo que eu expresse minha OPINIÃO (vide tag do post) com fundamentos científicos. Eu respondo com a Bíblia: “A fé vem pelo ouvir…” E a psicologia confirma: uma mentira repetida várias vezes se transforma numa verdade interior.

      A TV forma opinião, sim, e nós PAIS, EDUCADORES e ADULTOS RESPONSÁVEIS precisamos estar atentos ao que nossas crianças (sejam FILHOS, ALUNOS ou QUALQUER CRIANÇA SOB NOSSA RESPONSABILIDADE) recebe por este ou qualquer outro meio de comunicação.

      Mas, enfim, OPINIÃO é pessoal, e “nos revirando” ou não… precisamos respeitar a dos outros, né? Respeito a sua, e tenho ainda mais firmeza na minha. 😉

      Bjooo

      • Anabel, primeiro: acredito sim no poder da mídia. Contudo não creio no poder sobrenatural da mesma. Os novos estudos da comunicação, defendidos fundamentalmente no Brasil por grupos de pesquisa da ECA-USP (que, por sinal, possui um excelente grupo sobre comunicação infantil), afirmam que a comunicação só se efetiva no receptor. Receptor esse que tem postura ativa, utilizando-se de diversos “filtros” (culturais, educacionais, etc) para definir o que é interessante e tomar para si.
        Mesmo as crianças dispõem de imensa capacidade de definir o que lhes é interessante na televisão. Isso é formado não pelos desenhos animados, mas pela educação que as forma. O desenho ocupa um papel mais avançado na historicidade da formação: o de afirmação e/ou negação dos valores que ela (a criança) já possui – e não o de atribuir esses valores.
        Além disso, nos estudos a respeito dos desenhos animados, há um ponto fundamental para a atribuição de valores para o espectador (seja ele criança ou não): o desenrolar e o desfecho. Ariel Dorfman diz que a questão da punibilidade é fundamental para a formação do significado. SEMPRE, segundo ele, o comportamento inadequado é punido. Ou o personagem é ridicularizado, ou é punido fisicamente, ou perde algo que desejava. E o espectador assimila que aquele personagem não tem autoridade para afirmar nada. No caso específico dos pingüins, embora não tenha visto esse episódio especificamente, posso dizer que na absoluta maioria das vezes os mesmos são retratados como idiotas e submetidos ao escárnio de outros personagens – e consequentemente – de quem assiste.
        É isso… opinião cada um tem a sua e como já cumpri meu objetivo de lhe abusar um bocadinho, encerro por aqui….hehehe

        Felipe

  3. Ei, Bel!
    Mais uma vez, vc foi perfeita. Nós, que não nascemos computadorizados, podemos ter mais dificuldades com as máquinas, mas sabemos razoavelmente o lugar delas em nossas vidas.
    É por essas e outras que animações em geral me dão preguiça. Exceto Mary & Max, a última que eu vi e que é incrível.
    Adorei a caminhada! Como vc comentou lá no Janela, eu tb não conhecia esse lado da Bahia. Também é lindo ver fotos suas com o Abel.
    Bjo!

  4. Bel, ainda não assisti a parte 2 deste filme. Mas hoje a tarde vi Mary and Max que ouvi falar pela primeira vez através de um post teu. Fiquei encantada com a delicadeza do filme e foi impossível conter as lágrimas no final… È, sou meio chorona mesmo! 😛
    Beijos!

    • Ah, pode ser qualquer coisa, menos “empobrecedor”. Você vive sem celular – o que acarreta maior custo financeiro e menores possibilidades de contato, mas é uma escolha sua, tendo em vista sua experiência anterior. A Geração Y já nasceu com celular, e depois de ter acesso a essas facilidades… quem vai escolher se desfazer delas???

      Compra logo seu TIM, que eu ligo pra você a R$0,25 a chamada! hehehehe

      Bjooo

  5. O nosso amigo Felipe fez uma citação perfeita: “O desenho não dispõe, conforme Philip Dubois, de “autoridade para afirmar”. O espectador entende que aquela obra é uma paródia/comédia/escracho e não toma a mesma como verdadeira.”

    Mas esqueceu-se de que, no caso, os espectadores aos quais Anabel se referiu são CRIANÇAS, e estas não sabem sequer o que seja paródia/comédia/escracho.

    Mascarenhas

  6. “mas uma frase dessas entra no ouvido de uma criança e pode ficar como verdade no subconsciente, e essa criança vai enxergando o computador apenas como um instrumento de lazer e diversão.”
    Não assisti ao desenho, porém, creio que estás dando demasiado poder a uma frase.
    Assim, seria verdadeira a tese defendida num artigo do Observatório da Imprensa –
    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=578JDB009 – do qual se pode concluir que criança leitora de Mônica tende a resolver tudo na porrada.
    Outro exemplo: a programação infanto-juvenil japonesa é extremamente violenta, no entanto, os índices de violência no Japão são muito baixos. [O que Albert Bandura diria?]
    Parece-me que mesmo os adultos utilizam o computador predominantemente como entretenimento – a INTERNET tende a ser utilizada como uma revista de infinitas páginas que, muita vez, folheamos sem nenhum objetivo além de passar o tempo.
    “A Geração Y precisa se acostumar a ver o computador como uma ferramenta para facilitar a vida, seja no trabalho, nos relacionamentos, nos hobbies a sério e na diversão também.”
    Talvez já tenham se acostumado até demais. Computador – on ou off-line – pode se tornar, e tem se tornado, um vício como outro qualquer. Há quem não saia de casa sem seu lap top.
    Quanto a controlar o uso “pro bem” – seja lá o que isso signifique – , pergunto: se os pais mal conseguiam vigiar as atrações de meia dúzia de canais abertos – menos ainda dos mais de cem das tevês a cabo – , como, então, lidar com milhões de sítios, blogues e quejandos?
    (Alguns diriam: Eles estão em casa, não correm o perigo das ruas.)
    Haja filtro…
    E mais uma vez o Japão saiu na frente: para além da Geração Y, na Terra do Sol Nascente já desponta a geração H (de Hikikomori).

    Jucemir

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