A saga da qualificação

Contextualizando: Eu faço Mestrado em Cultura e Turismo na UESC (nem adianta esconder certos dados, estão soltos na net mesmo…) e hoje foi a minha banca de qualificação. A Qualificação é um rito de passagem onde o mestrando apresenta um capítulo da dissertação e mais a estrutura do trabalho todo à  banca, que depois de arguir/discutir/malhar decide se a pobre criatura está apta a continuar o trabalho já começado há cerca de um ano e meio.

É cruel. Não vou negar. Mas ninguém me disse que seria fácil. E eu, estressada que sou, preocupada com meu Distúrbio de Déficit de Atenção que me provoca uns "brancos" de vez em sempre… estava com a tensão pra lá de Bagdá.  Ainda mais que Marido precisou viajar a trabalho, e eu fiquei sem a companhia certa para a celebração ou o ombro certo para o choro, se fosse necessário. Chorei minhas pitangas aqui, no twitter e no telefone com quem podia, e agora depois do caso passado, venho dar o resultado!

Depois de acontecer tudo que podia, incluindo atraso de uma das profas da banca, faltar energia e eu começar a apresentar só com o notebook (a energia voltou no meio da apresentação) e eu estar preparada para apresentar em 50 minutos (informação do meu orientador) e saber na hora que era em 30…

Qualificação 09-12-2010 002

(Clica, que aumenta)

QUALIFICADA!

Não tem nota, somente o conceito de qualificação ou não, e no meu caso, foi qualificada, com a condição de aceitar as sugestões da banca, que foram todas pertinentes, nenhum sofrimento extra com elas.

Elogios iniciais e depois as rebombadas, é sempre assim. Eu já deveria estar acostumada, mas não estou. Já deveria saber que daria tudo certo no final, mas enfrentei uma diarréia nervosa desde ontem. Já deveria saber que depois que passa tudo eu desmonto… mas estou aqui, ainda na sala onde aconteceu o "evento", sem pernas pra levantar e ir embora. Com um "oco" na barriga mas sem fome, sabem como é?

E olha que tomei o Bivolt antes de sair de casa, tomei café direitinho… mas foram quase TRÊS HORAS de panela de pressão (e eu era o feijão, cozinhei demais, fiquei mole!). Pra não perder a oportunidade, já que estou com o notebook e uma conexão de respeito, por que não blogar, né?

Uma das colocações da banca foi sobre o meu estilo de escrita. "Muito literário e poético, deve ser mais ‘acadêmico"!" Ai meu Jesus Cristinho! Outra: "Renúncia é a palavra de ordem na Academia. Esquece Marido, filho, pai, mãe, outros trabalhos de fotografia… e mergulha na pesquisa." Aham, Cláudia, senta lá. [Mal liguei o celular tinha uma cliente ligando pra agendar um casamento pra fotografar depois de amanhã.]

Vou ter que escrever um capítulo específico sobre a metodologia, já que estou fazendo escola, inventando moda, ou, academicamente falando, introduzindo novas técnicas metodológicas para o uso de imagens como dado de pesquisa social. Tá bom assim?

A banca não foi hostil, mas me imprensou contra a parede no melhor estilo "é melhor apanhar em casa do que da polícia". Não fiz nada "errado", mas preciso melhorar a "postura acadêmica". Ó, não foi ruim, não, mas foi cansativo. Não doeu, mas foi cruel. Não me desesperei nem disse besteira, mas sofri.  Dá pra entender?

Pior é que nem está fazendo sol (tá um temporal, na verdade) e eu nem posso ir tomar um banho de mar pra descarregar a tensão. Já falei que Marido está viajando?

Bom, depois desse desabafo, vou reunir forças pra ir pra casa e dormir até acabar o sono. Deixa pra "renunciar" a partir de segunda, que é dia de começar dieta. 😉

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  1. (DDA) Sim, vc falou duas vezes que Marido tá viajando, hahahaha…

    Olha, Bel, que bom! Fico feliz por vc, de verdade – ai ai, a irmandade das blogueiras, nham! Hahahaha…mas ó, eu acho super bem colocada a bronca e, acho que Marido devia reforçar: sai do twitter e vai fazer o trabalho de pesquisaaaaa!risos

    Acho que todo acadêmico que já conseguiu passar pro ‘lado de lá’, imagina como é esse sofrimento sem sofrer…acho que não há como não existir, por mais segura e confiante que se esteja. Faça seu melhor, tenha essa garantia. Daí pra frente, dar certo é um pulo!

    ;*
    =*

    • Eu mereço, até você dando apoio a Marido pra me dar bronca! E ainda vem falar da irmandade das blogueiras… Rum.

      Obrigada por toda força, flor!

      Bjooo

  2. Comecei a ler o post e fiquei louco pra pular logo para o resultado, mas daí achei que era mais certo sofrer pouco a pouco, como vc sofreu. Parabéns pela qualificação. Não que alguém duvidasse do resultado, mas é sempre bom comemorar. Quanto às críticas… ah, as malditas críticas…. Quando a gente produz qualquer trabalho com carinho, nossa vontade mais íntima é mostrar para os outros e receber só elogios. Claro. Mas quando se trata de algo realmente importante, as críticas do meio do caminho acabam sendo muito mais valiosas do que as gentilezas… né? Certeza que lá na frente vai sair um trabalho perfeito e vc vai rir ao lembrar dessa dor de barriga de agora… 😉 Parabéns de novo! bjos

    • Obrigada pela disposição em sofrer junto, hehehehe!
      Eu ainda não consegui comemorar. Sabe como é aquela coisa que a gente não consegue ficar feliz, mesmo que tenha todas as razões pra ficar? Não sei explicar.
      Na hora eu estava segura, tranquila, as críticas não foram maiores que os elogios, meu orientador ficou super satisfeito, (depois veio me dizer com todas as palavras que estava super orgulhoso de mim, que eu era a melhor orientanda que ele já teve, bla bla bla whiskas sachet), mas é como se algo estivesse errado, algo tivesse dado errado. Não sei explicar mesmo, ainda estou em estado de choque. Vá entender.
      Bjo e mais uma vez, obrigada!!

  3. Fala sério , BigBell: tua aprovação era um evento para além das leis da física e infenso a qualquer incerteza heisenberguiana.
    Tuas preocupações? – Histeria freudiana.

    “Muito literário e poético, deve ser mais ‘acadêmico”!”
    O examinador tinha que dizer alguma coisa: ”Já sei. Vou dizer que ela abusou das adjetivações e deixou a desejar nas colocações que se pediriam mais substantivas.”
    …Nonada.

    Já vejo o futuro: …
    …Mais um pouco: doutora em semiótica da imagem…
    …Mais um pouquinho: PHDona…
    …Nos entremeios: desorientadora de mestrado… .[Minha desforra saramaligna.]…E haja caixinha de chocolate pra amaciar o futuro terror dos mestrandos da UESC.
    …Dia desses: Magnífica Reitora.

    Abração.

    Jucemir

    • Só rindo, viu??? No momento eu digo que depois do mestrado eu vou dar o fora da Academia. (O futuro a Deus pertence)
      E não tenho jogo de cintura pra ser Magnífica Reitora, não… sou honesta demais pra isso.

  4. Beem! A vida é assim mesmo: um dia a gente canta, no outro a gente chora (ou tem vontade de…)
    Da minha parte, você já sabe: pode contar com meu ombro virtual. Se não for suficiente use o pretinho…é barato e não dói nada!!!
    Beijo e lencinho. Vá comer que passa!

  5. Conte-me uma novidade!
    Quem não sabia que você ía “passar no teste”?
    Ôxi! Acho que só você não sabia.
    Eu mesma não estava nem um pouquinho preocupada. rsrs
    Parabéns!!
    Bjo

    • hahaha vc não estava nem um pouquinho preocupada? Eu tb não. Mas estava estressadíssima. É diferente de preocupação. Ou não?

      Bjo, e obrigada!!!

  6. Olha eu! Já dei os parabéns pelo telefone, mas né? Tem que vir aqui comentar!
    Acho que esse medinho é natural, não gosto de pessoas que são 100% confiantes!
    Mas diga se o pós stress não é legal?!
    Agora então que Marido seu já deve ter chegado, hein???
    Beijos

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