Amigo Secreto e sentimentos secretos.

Eu já falei várias vezes sobre minha falta de sorte nos Amigos Secretos dos quais participo, mas neste final de ano aceitei de pronto a sugestão da Intense pra um Amigo Secreto beeeem particular, entre seis blogueiras que certamente iriam presentear umas às outras com muito carinho. E assim teríamos uma lembrança “para sempre” do ano de 2010 em que passeamos entre os blogs, rindo, chorando, dando apoio, fazendo graça, “perturbando”… enfim, um momento de troca de presentes entre gente que se ama apesar da distância e mesmo sem se conhecer “ao vivo e a cores”. Acho que somente eu e Jady nos conhecemos pessoalmente, conhecer as outras todas ainda é desafio  para 2011!

Assim, Patrícia DaltroJadyAline MonteiroJullyaneIntense e eu fizemos cadastro no site www.amigosecreto.com e mandamos ver! O mural de recados e os bilhetinhos anônimos foram sucesso total, e mesmo com tão poucas possibilidades, ainda rolou uma certa surpresa!

Entre sugestões sobre não-presentes e desejos (eu queria um iPhone ou um Blackberry) a minha amiga me mandou via Submarino a Sétima (e última) temporada de Gilmore Girls.

Presente AS 003 c

O cartão veio sem assinatura (assim como o pacote da amiga que eu tirei, e que nem cartão teve, shame on me!), mas pelo texto só poderiam ser duas das moças da laje (piada interna): Ju ou Intense.

Presente AS 002 c

Logo depois que eu tuitei sobre o presente ter chegado (os correios tentaram duas vezes e não tinha ninguém em casa – na sexta eu decidi: não saio de casa hoje nem por um decreto), veio a resposta:

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Então, foi a Ju que me tirou, e nos bilhetinhos anônimos ela fez de tudo pra que eu não desconfiasse, e não desconfiei mesmo, não vou mentir. [Achei que era a Pat… hehehe]

Ju estava às voltas com a defesa do TCC – e se saiu excepcionalmente bem, tirou DEZ!!! – e por isso não mandou junto com aos DVDs o que ela chamou “Kit Piauí” e que eu vou cobrar até chegar. Vê se dá pra dispensar isso:

“…um pacote com cajúina, uma camisa com motivos piauienses e alguma coisa de artesanato q eu achasse interessante. Ah! Tbm ia gravar os cds da banda Validuaté (de Teresina) que é uma das minhas bandas favoritas pra vc ouvir…” –

[Veio no e-mail super delicado que recebi na sexta à tarde.]

[Marido já gritou que a camisa é dele, então, Ju, favor mandar DUAS! hahahaha]

Pois é, a Ju, a moça das vermelhas unhas, lindona, elegante, festeira, doce e delicada, bem humorada e carinhosa, que escreve e-mails confessionais e cheios de “babados”, ciumenta (não é, Dani?)… uma amiga pra se guardar debaixo de sete chaves, do lado esquerdo do peito, dentro do coração… foi a minha Amiga Secreta. E a Jady já estava desde cedo cobrando o post-revelação.

Relutei em escrever este post por alguns motivos… e o primeiro é que eu precisava de calma para conseguir dizer tudo o que GG significa pra mim, e nem sei se vou conseguir.  Talvez fosse mais fácil passar batido, dizer que adorei o presente e pronto. Certamente seria mais fácil e menos doloroso, mas depois de passar a manhã de domingo assistindo 7 episódios da 7a. temporada, precisei encarar e vir aqui dizer pra Ju e pra o meu grande público vocês um monte de coisas que pouca gente sabe. Marido, Jady, Geórgia e Lu, minha amiga-manicure têm compartilhado já há algum tempo disso que eu vou contar aqui, agora.

Pra quem não está por dentro do assunto, as Gilmore Girls são mãe e filha, protagonistas de uma série de TV, que foram instantaneamente identificadas porLine e eu, como se fôssemos nós. Salvo a diferença de Lorelai (a mãe) ter engravidado aos 16 anos, a relação entre ela e Rory (a filha) era muito semelhante à minha com Line. Olha aqui a prova de que não era somente eu que sentia isso: Postdela,  Love Story.

Mãe e filha que se entendiam com o olhar, que falavam muito e muito rápido, que adoravam café, que tinham mil piadas internas, que se entendiam plenamente, que, que, que…  éramos nós duas. Na série, Lor não casou, o pai de Rory existia, mas era um pai com uma presença inexpressiva emocionalmente. Os momentos importantes sempre eram entre mãe e filha, como pra nós. Uma intimidade imensa, com um respeito também imenso. Na série, acho que na 5a ou 6a temporada,  Rory vai para Yale, e passa um tempo em que as duas não se falam. Como a série acabou, posso dizer que teve um final relativamente feliz, as duas refizeram os laços e a intimidade, mesmo com a maturidade e independência de Rory. Na vida real, estamos ainda na fase de separação, onde a mãe se sente rejeitada, desconsiderada e completamente escanteada pela filha, que antes era sua melhor amiga.

Não brigamos – isto é fato – mas falta alguma coisa. Eu sinto falta de tudo que tínhamos, e que eu tinha certeza que era real. Talvez tenha sido porque ela “cresceu” e descobriu que existem outras pessoas no mundo além da mãe, talvez tenha sido porque nossas vidas foram divididas com nossos respectivos amores, talvez porque ela não tenha consciência de quanto me machuca a “ausência” dela em minha vida… talvez eu nunca descubra o motivo, ou se realmente existiu um motivo… ou se tudo aquilo era tão superficial que se desfez com a distância física. Eu sinto muita falta dela. De tudo que ela era, do que ela gostava (nossos gostos eram muito semelhantes na maioria das vezes), do que ela fazia por mim e para mim, do que ela me deixava fazer por ela e para ela… Faz tempo que digo a ela que cansei de cobrar telefonemas, atenção e mesmo simplesmente saber da vida dela. Se antes os sonhos e desejos mais comuns eram compartilhados, se havia um telefonema a qualquer hora só pra dizer: “vi/ouvi/li  isso e lembrei de você!”, nos dias atuais eu sei da vida dela pelo twitter, junto com o resto do mundo. E dói.

Enfim… No final da série mãe e filha se reencontram. Eu espero que na vida real não demore muito. Não sei se meu coração aguenta.

38

Setembro de 2006, no fds roubado que tivemos em Recife.

 


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  1. Quem sabe essa “vomitada” não sirva pra acordar alguém? 😉

    Beijo preá… E tou na torcida pra esse momento chegar logo, só espero que não seja o fim 😉

    Beijo

  2. Errr, comentar esse post é difícil!
    Também vivo longe da família, e minha mãe reclama, reclama e esses dias entrou no Gtalk e gritou: “Filhinha, estou carente!”. Não é fácil! Não sei se o que ela sente é exatamente o que você sente! Olha, nem sei se quero saber!
    Eu sempre quis crescer e sair de casa, sempre fui do mundo, mas sempre tive a preocupação de avisar a minha mãe em que lugar do planeta eu estava e que estou bem!
    Telefono uma vez por semana! Marco presença nas festas mesmo sem curtir, como Natal…
    Tento retribuir o que ela fez e ainda faz por mim, porque olha, nossa história não é fácil também!
    Mas como ela mesmo diz, somos sobreviventes!
    E vamos sobrevivendo!
    (Se for para comparar com a história da série: Nosso reencontro será na chegada dos netinhos, que ela já está escaladíssima para tomar conta! Inclusive aguardo sua aposentadoria pois eu não vou entregar meus filhos para um desconhecido assim de cara, nem no sonho!)

    • Crescer e sair de casa sempre foi desejo de todo filho, em mim inclusive. O que me incomoda nisso tudo é a mudança. Carente, toda mãe fica, com a saída dos filhotes de debaixo das asas, mas tem dias que a gente fica ainda mais carente, e quando essa carência dura demais… sei lá que prejuízos mentais e emocionais pode trazer. [Drama mode on]

      Ah, eu não quero ser vó-babá, não. Me inclua fora dessa!

  3. Ei Bel
    Relação mãe e filha é uma coisa muito louca.
    Tem um filme que gosto muito e fala sobre isso e muito mais. O clube da felicidade e da sorte. Tem tb o livro. Tenho em arquivo caso queira eu te mando por email.
    mas assista o filme. Vc irá sensibilizar e para a Tâmara que comentou sobre ser sobrevivente assista o filme tb. Mostra muito sobre as relações.
    bj

  4. Ei, Bel!
    Eu me emocionei demais com o seu post. Primeiro, pelo amigo secreto mesmo, que foi uma delícia, adorei participar.
    Depois, pelo desabafo sobre a relação.
    Passei um pouco por isso, quando saí da casa dos meus pais. Você sabe, a situação era beeeem outra. Mas a cobrança era enorme por notícias, satisfações e tudo o mais. E ninguém entendia que minha vida era outra, naquele momento. Eu queria, sim, dar satisfações. Mas não sentia necessidade de fazer isso o tempo todo. O tempo passou, outras coisas aconteceram. Não é a mesma situação, claro, mas eu entendo a Line. Entendo você também e, por um momento, deu pra ver que você tem algo em comum com a minha mãe.
    Acho que não te consola saber que não é sinal de falta de amor. É só que o mundo é grande demais, e a gente quer viver tão intensamente que mistura as prioridades. Uma hora, tudo vai se acertar.
    Bjo! Curte o presente!

  5. Ei, Bel.
    🙂

    Não podia ser eu, só Jullyane que fala ‘babados’ mesmo.rs Que chiqueeeeeee seu presente, hahaha…e que bom que desse amigo vc não se arrependeu de entrar!rs

    Sobre o restante do post…acho que qualquer pessoa que convive – mesmo que virtualmente – com vc mais de perto um pouquinho, já se sentiu tem tempo que esse é um assunto que te machuca e incomoda. Acho que, filho não vai embora não, Bel. Acho que Line só bateu asas e anda voando por aí, conhecendo novos ares, vivendo por si mesma, mas um dia ela volta…’pra casa’, ou pra vc, como preferir. Não como a menina que era, nem como a mocinha que saiu de casa, mas como a mulher que ela tem se tornado durante esse tempo. Talvez esteja sendo necessário pra ela que isso aconteça. Deve doer, sim – não sou mãe, não consigo sequer me colocar no seu lugar. Mas vamos torcer pra que, a vida imite a arte, e um dia volte a ficar tudo bem, de maneira que você possa se sentir próxima dela novamente e, confortável.

    Que o tempo tome conta.
    😉
    ;*

    ps.: seu DDA tá contagiando, mais uma que esqueceu de assinar o cartão é brincadeira, hahahaha…

    • Mas não me arrependi MESMO! Ri horrores, e estou me emocionando com as revelações.

      Você tem razão, Line não é mais menina, nem mocinha… é uma mulher, e eu sei disso (sei, oi?). Eu só queria a minha AMIGA de volta…

      Beijo, flor!

  6. Bel, que post mais fofo!!! Qto carinho, qta emoção, qta delicadeza expressa em palavras… Fico feliz demais de meu presente ter alcançado seu coração dessa forma. Vc sabe que o Kit Piauí vai em janeiro (junto com o convite da minha formatura), então já vou avisando que quero outro post, hahahaha! Tbm gostaria do tamanho que vcs usam, pra não errar na escolha. Eu ia mandar uma M pra vc, que achei que se ficasse grande, vc poderia diminuir, mas já que vc já sabe, é mais fácil vc me dar o tamanho, né?

    Ter amizades como a sua e de todas as blogueiras lindas faz toda a diferença. Nossos emails cheinhos de babados, de carinho, de experiências trocadas, conselhos e muitas risadas são uma válvula de escape em horas de trabalho atribuladas. É uma alegria e uma honra considerar-me sua amiga e fazer parte da sua vida, mesmo de longe!

    ADORO VC!
    Bjo, bjo

    *P.S.: Agora tô doida pra receber o meu presente, rs!

    • Hahaha que moça gulosa! Já vai querendo outro post!!!
      Os tamanhos são duas G, acho que daqui pra janeiro eu não emagreço tanto assim, M fica desenhando as gordurinhas [mal] localizadas.

      E você merece muito mais do que essas palavras, merece todo o meu carinho!

      Beijooooooooooooo

  7. Nossa que lindo. Eu sou amiga da Jullyane (é, essa mesma que é a rainha das formaturas) e posso te garantir que ela é maravilhosa. Eu a amo muito. E acho que agora vou passar a vistar o seu blog. Parabéns pelo presente. Eu adoro Grey’s Anatomy e espero que alguém se compadeça para me der amo menos a 1ª temporada. Feliz Natal!

    • Você é uma sortuda, porque ser amiga da Ju não é pra qualquer uma, não!

      Comecei a assistir Grey’s Anatomy na 6a temporada, e estou acompanhando a 7a. Mas não é das minhas preferidas, não… mas a Tâmara falou que esta está sendo sem graça. Dei azar, né?

      Feliz Natal pra você tb!

  8. Belzinha, eu AMO GG!! Via todos os episódios e sempre me encantou aquela cumplicidade mãe e filha que eu sempre sonhei ter, mas nunca tive – e nem nunca terei – com minha mãe. Que maravilha poder ter alguém com um laço tão visceral e que ainda por cima tem um relacionamento de profunda amizade e amor. Era o que sempre me dizia e suspirava, concluindo: isso é para poucas.
    Então, Belzinha, se sua filha tem este privilégio, esta benção, eu só posso desejar, do fundo do meu coração, que ela possa o mais rápido possível resgatar isso. Porque só quem NÃO tem ou TEVE um dia, pode saber.
    Beijos!

    • Pois é, amiga… eu tb sempre desejei uma relação assim com minha mãe – nunca tive e provavelmente nunca terei. E fico feliz que tenha tido com minha filha, e mesmo que nunca volte a ser como era, já valeu pelo que foi.

      Beijoooo

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