O livro – Texto final – De verdade.

Cinco anos de blog trazidos para o papel.

Quase 300 páginas,  que são a pontinha do iceberg de emoções que foi a minha vida de 2005 a 2010. Um tsunami de fotos, desabafos, confissões, opiniões, contos, poemas, músicas… todas as formas possíveis de mostrar a vida. A minha vida.

Muita coisa ficou por ser dita, ou foi conscientemente omitida.

Ler todo o blog foi uma experiência que não sei como qualificar. Talvez a melhor palavra para ela seja “intensa”. Não sei se escolhi direito que postagens ficariam ou não. Acho que algumas coisas que escrevi não merecem ser “eternizadas” num livro, ainda que estejam “eternizadas” no blog. Sentimentos e emoções, que um dia foram dominadoras e hoje não são mais, vieram à tona nessa leitura, mas ao decidir que os textos que as despertaram ficariam de fora, decidi também que esses sentimentos e emoções  já nao faziam parte de minha vida.  E isso me fez bem. Me fez muito bem.

Escolhi textos não-datados, ou seja, meio como o antigo slogan da Revista Seleções do Reader Digest: “Artigos de interesse permanente”. É claro que quem me conhece e conviveu comigo seja na viva real ou através do blog, pode entender as entrelinhas e identificar as fases pelas quais passei, tudo de bom e de não-tão-bom que vivi, as emoções que senti, e mais do que tudo, o quanto busquei me conhecer – ou me mostrar, que seja! – escrevendo sobre mim, sobre quem sou eu e sobre o que eu sinto e penso.

Os posts “diarinhos” que serviram muitas vezes de catarse não entraram aqui.

Mas não são absolutamente perdidos. Eles bem que poderiam vir a ser parte de um roteiro de cinema ou de uma peça de teatro, who knows?

Tal como a “segunda captura”, quando escolhemos dentre todas as fotografias tiradas quais as que irão para o álbum virtual ou que serão impressas, a seleção dos posts foi assim. Eu me perguntava: O que pode interesar leitores de livro de papel? O que diz coisas das quais eu não quero lembrar? O que parece ter tido a presença da Dona Ispiraçao de maneira bem visível? O que mostra o melhor de mim, como blogueira, como escritora, como mãe, como mulher, como pessoa?  Nem sempre encontrei as respostas, só vou saber se acertei ou se errei depois. E talvez até nem saiba.

Não sei se ler este livro vai ser interessante para quem não lê o blog… não sei se pra quem lê o blog vai ter alguma “graça” reler os posts em papel… só sei que EU vou ler e reler este livro muitas vezes, como faço com os posts de vez em sempre. E como deixei implícito desde o título do blog, estou escrevendo pra mim, pra lavar a alma, pra ir à forra de quem leu meus diários de adolescente… e seu você quiser ler, eu deixo. Se não quiser… quem perde é você! (Tá, modéstia nunca foi o meu forte, não seria agora que eu ia começar a ter).

[Este texto termina oficialmente aqui, o livro também. Mas no blog tem um "final alternativo", que na verdade foi publicado antes deste. Passa lá pra ver: https://deixoler.wordpress.com/2011/02/03/o-livro-final-alternativo/%5D

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  1. Eu tenho histórias de minha vida que sempre conto para todo mundo, algumas estão no blog. Se eu fosse fazer um livro (ainda não tenho essa pretensão) seriam essas histórias que estariam lá.
    Tenho vontade de escreve-las no blog, mas a vida tem sido tão rápida que nem as coisas de hoje eu tenho conseguido colocar lá.
    Mas vamos ver… quem sabe um dia! 😛

  2. Coisa linda! Muito bom. É engraçado pensar que eu não faço parte nem de um ano inteiro dentres esses cinco… e já me sinto tão em casa por aqui. Obrigado por me deixar ler…

  3. Certamente se pode classificar a obra em questão como memórias epistolares.
    Prováveis eventos não postados ficam por conta do leitor….
    …Ou será que, forçando a metáfora, se pode dizer que todo não postado está além do horizonte de eventos?
    Enfim, não tem como escapar: a vida é contínua, a linguagem é recorte , a memória é fragmento e , no fim de tudo, o texto final é um texto que alguém deixa ler.

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