Suave Veneno

Foi a música que faltou no show de Nana Caymmi ontem. A única que eu desejei e não veio, pois o repertório foi simplesmente perfeito, nem dá pra reclamar.

Depois de muitos planos, de uma espera ansiosa e de uma porção de frustrações, fomos ao Centro de Convenções de Ilhéus, ouvir aquela voz que sabe ser controlada, saindo um fiapinho no tempo da delicadeza e também sabe ser potente, cheia e vibrante quando quer extrapolar todos os limites.

Fazendo uma crítica superficial, diria que o show foi PERFEITO, só faltando ela “conversar” mais um pouquinho… mas depois de Chico que só disse “Boa Noite” e “Obrigado, Salvador!”… ela até falou demais. Bem humorada, emocionada e emocionante, Nana só não me fez chorar porque não sou disso.

Exemplo de um show bem cuidado e planejado, onde a seleção das músicas sublimemente tocadas por uma mini-banda [que incluía o baixista Jorge Helder, que toca com Chico – veja vídeo no final] foi-se encadeando delicadamente até chegar ao ponto do público aplaudir de pé, entendendo o final do show, ainda que ela não tivesse avisado que era a última música. É claro que eu tentei me enganar, comentando que foi o povo levantar que fez ela acabar mais cedo… Smiley piscando

[Completamente diferente de um outro show naquele mesmo local, não sei se vocês lembram dos meus comentários aqui, e da repercussão que teve até com a própria cantora.]

Começou com um bloco de músicas do pai, carinhosamente referenciado como “o conterrâneo de vocês” e Syd Fieldianamente terminando com “Suíte do Pescador” (Minha jangada vai sair pro mar…) e “Resposta ao Tempo”.

Entre dois baluartes da apreciação de música popular brasileira, Marido e Dinah, eu babei tudo o que pude! Nem levei câmera, pois tinha decidido que seria “apenas” espectadora do show. E valeu demais!!!  Dinah anotou todo o repertório, e deve escrever sobre o assunto também.

A foto abaixo, de Cid Póvoas, traduz a emoção da mulher que poderia [e até quer] estar quieta em casa, mas ainda se propôs fazer um tour pelo Norte e Nordeste, segundo a própria, por lugares onde ela não vai passar mais, pois já vai se aposentar. Quando o público chiou ao ouví-la dizer isso, ela sai com essa: “Merda, você não quer se aposentar??? Eu também quero!!!”

Captura de tela inteira 10072011 095518.bmp

Não, Nana. Eu é que agradeço!

[Veja mais fotos no Álbum de Cid no Facebook.]

Agora, voltando a Jorge Helder, eu fiquei emocionada quando assisti no DVD Desconstrução  a cena em que Chico apresenta ao compositor, em primeira mão, a letra de sua música Bolero Blues. Aí penso que cheguei a vê-lo de novo, ao vivo… Wow! A mini-banda, com violão, baixo, bateria e piano deu mais do que um show. Nana errou letra, errou tom, e os acompanhantes fizeram exatamente o que devem fazer: facilitaram a vida dela, acompanharam, deram suporte para que ela cantasse. Tudo mereceu aplauso nesse evento.  Até os “erros” dela, assumidos com tanta naturalidade, que deixaram de ser erros. Escandalosamente delicado.

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  1. Putz, sou louco pra ver essa moça cantar ao vivo. Mas acho que nossos planos são muito diferentes e vão me impedir de ter esse prazer. Ainda bem que vc foi feliz com ela e dividiu aqui com a gente…
    bjos

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