Ecologicamente incorreta. Ou não.

Depois de ler, quem quiser me apedrejar virtualmente, fique à vontade. Mas só virtualmente, tá bom?

Há algum tempo recebi via e-mail este texto, e encaminhei para alguns amigos. Acho que, no dia em que as sacolinhas de plástico foram sumariamente banidas dos supermercados (oi?) ele cabe bem. [Em São Paulo, pelo que ouvi na TV. Por aqui ainda se encontram “sobreviventes” à chacina dos sacos plásticos]

Eu confesso: tenho ZENTAS ecobags, de modelos e tamanhos diferentes, compradas e ganhadas, mas NUNCA usei. Elas ficam lá, no cabide, ocupando espaço e se enchendo de mofo, na terrível humidade de mais de 90% aqui da Capitania. E a cada vez que vou ao supermercado, trago pra casa as sacolinhas que me oferecem. [Estranhei, quando na Europa qualquer compra é levada solta na mão, mas eles dão quando a gente pede. Eu pedi sempre, achava estranho colocar solto na bolsa, parecia que estava roubando algo, como um adaptador de tomada, um remédio pro nariz…]

Reutilizo as meliantes do ambiente para colocar lixo diariameente, sandálias e sapatos em malas, transportar pequenos objetos,  enfim, elas têm, sim, outro uso, que não apenas trazer as compras do mercado.

Mas o caso é que colocaram a culpa do desacerto do mundo no saco plástico.  Como se acabar com as sacolinhas fosse resolver tudo, como se, de um momento pra outro, não comprássemos mais sacos para lixo, como se  o plástico do saco “pra lixo”, vendido em rolos ou pacotes de 10, 20, 30 ou 50 fosse menos prejudicial, ou se desintegrasse em 100 anos, em vez de 200. Como se os copos descartáveise garrafas pet não tivessem sua parcela de culpa, como se mudar todo o mecanismo de funcionamento da vida fosse simples assim.

A @bbel desabafou no twitter:

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e é isso mesmo, nem sempre eu vou ao mercado planejadamente. Agora tem que andar com a sacola a reboque, ad eternum? Eu gostaria de poder escolher ajudar o planeta de outras formas, e continuar trazendo as sacolinhas cheias das compras da semana.

Não me passaram a autoria do texto, então, se alguém souber, por gentileza, me informe, para creditar devidamente.

 

“Na fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”

O empregado respondeu: “Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente. “

“Você está certo”, responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?”

Então, quem é o fanfarão, agora???

 

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  1. O debate é bom! Também sempre fiz e ainda faço uso das sacolas plásticas para várias outras finalidades. Elas até servem pra forrar a lixeira, mas nunca são, sozinha, consideradas lixo. Pelo menos, não aqui em casa. Ainda assim, aprendi a viver com menos dessas sacolas. Quando cheguei do lado de cá do oceano, já valia essa regra que chegou agora a sp… sacolinha, só pagando. As pessoas reclamam, mas se acostumam. No começo é engraçado, vc vê o povo levando pizza, papel higiênico, carne… tudo na mão, na bolsa, na mochila. Enfim. A gente se adapta, como a qualquer outra mudança. Mas tb acho que existem outras forma infinitamente mais eficientes de tentar salvar o planeta. Minha humilde opinião é que a gente não vai salvar p:^#@ nenhuma!! 😉 bjos

  2. Aqui em SP até circulou nas rádios uma campanha que dizia que quase 100% das sacolinhas são reutilizadas. São mesmo. Eu reutilizo sacolinhas pra tudo isso que você falou, acrescentando que várias vezes já enfiei uma na cabeça pra enfrentar chuva, ou pra fazer banho de creme! A mulher que nunca colocou uma sacolinha de mercado na cabeça, que atire a primeira pedra. A difereça é que agora vamos ter que pagar por sacos plásticos, pagar por ecobags. Enfim, quem ganha com isso não somos nós, nem o meio ambiente, são os fabricantes disso.

  3. Bel, aqui temos tb as sacolinhas plásticas e que se paga na hora da compra, 10 centavos se nao me engano, pois levo minha sacola de pano, rs. Aliás carrego uma sempre na bolsa, enrroladinha.

    Mas mesmo assim concordo que esse tipo de campanha nao vai ajudar o planeta. Nao serao as sacolas plásticas que acabarao com o planeta, é todo um conjunto de falsas atitudes.

    Eu adoraria viver no tempo da mulher deste texto. Nossa, nao ia engordar com tanta facilidade, pois estaria em atividade muitas horas do dia.

    Eu tb me preocupo muito com as garrafas Pets. Elas sao zilhoes já por todo mundo. Prefiro as de vidro, mas confesso sou consumidora de água de garrafas Pets. Se por um lado eu nao uso sacolas plasticas por outzro lado eu uso Pets.

    Evito comprar as bacias plásticas, pois sei que elas precisam de mais de 30 anos para serem esternimadas pelo solo. Embora eu tenha muitas de vidro, tenho tb muitas plásticas com tampas para carregar os lanche das criancas e até mesmo meus lanches na bolsa.

    Enfim, estamos vivendo o mal do século, conforto, conformismo, mesmismos e continuamos sendo falsos e hipócritas com tudo e com todos, dizendo que somos verdes, mas na verdade somos uns bandos de marrons, sujos pela própria merda que fazemos.

    Legal que vc trouxe este texto prá cá.

    Bjao

  4. Oi! vim por indicação da amiga Geórgia, lá da Alemanha. E… não tem sentido proibir o uso da sacolinha plástica aonde não se faz reciclagem.Pq as sacolinhas vão ser substituidas por sacolinhas plásticas compradas (e talvez de plástico ainda pior e que demora ainda mais para se degradar).na verdade tinha que ser feito primeiro uma boa coleta seletiva, depois pensar em proibir a sacolinha, como se faz em outros países. Mas o governo sempre joga a culpa e responsabilidade de tudo na mão do povo.

    essa história da velhinha é fantástica! e não é verdade?
    bom domingo a vc e aos seus

    • Oi, Alexandre, prazer em ter você por aqui! Este é o ponto: Proibe-se a sacolinha mas não se toma qualquer outra atitude como coleta seletiva de lixo ou reciclagem de todo tipo de material passível de ser reciclado. Incoerência Brasilis, esta é a nossa terra!!!

  5. Ecobel.
    As sacolas plásticas são realmente um estorvo para o meio ambiente, sem embargo de sua reutilização mais consagrada como recipiente de lixo caseiro. No entanto, também creio que exista uma certa preocupação espetacularizada nessa eleição das mesmas como vilãs ecológicas.
    Quanto à parábola, ela é, até certo ponto, aquilo que os historiadores chamam de anacronismo – ou seja, uma crítica do passado a partir de uma visão atual.
    Nossa hipotética senhora idosa certamente nasceu nos anos 40 ou 50. Ora, para um representante dessas gerações, reivindicar, retrospectivamente, preocupação ecológica – mesmo em termos irônicos – é tão anacrônico quanto a invectiva do hipotético empregado.
    Os supostos exemplos de consumo ecologicamente corretos – ou menos agressivos – dos tempos jovens da velha senhora não respondiam a nenhuma preocupação com o meio-ambiente; respondiam, por um lado, à oferta tecnológica dos materiais mais baratos disponíveis na época e, tal como agora, ao dogma da relação custo-produção.
    Pela milésima vez, cito Guy Debord: “…neste mundo oficialmente tão cheio de respeito para com os imperativos econômicos, ninguém sabe qual é o verdadeiro custo de qualquer coisa produzida: a parte mais importante do custo real nunca é calculada, e o resto é mantido em segredo.”
    No mais:

  6. Li o post e esqueci de comentar ¬¬

    Saiu hoje na Folha que a maioria dos paulistas é a favor da proibição das sacolinhas, mas um dado mais importante do que esse é o que diz que 95% das pessoas reutilizavam as sacolinhas como lixo. NOVENTA E CINCO POR CENTO! Inclusive a minha família!

    Para quem mora em apartamento pequeno, é um desconforto inigualável ter lixo grande (porque agora para lixo só tem aquele sacão preto, um inferno).

    A modernidade trouxe para nós o conforto das embalagens leves, de plástico (os vidros das garrafas de leite e coca-cola, citados no texto, só em cidadezinha mínima do interior). Não sou a favor, mas pensar em levar pra casa garrafas e embalagens de vidro, 5 vezes mais pesadas que as de plástico, não me animam.

    Sei que as sacolinhas são do mal. Mas e as biodegradáveis, que dependem de uma usina de compostagem para de decomporem? E cadê essas usinas no Brasil? Ou seja: as sacolinhas biodegradáveis terão o mesmo fim que as antigas, só com um nome mais verde e mais CARO. R$ 0,19 por sacolinha dói no bolso do povão.

    Comentário sem pé nem cabeça. Argh.

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