365 Dias

A origem:

O Grupo  no Flickr.

O desafio:

Um auto-retrato por dia, durante um ano.

As minhas regras:

As regras que fiz para o MEU projeto acompanhavam as do grupo do Flickr, com algumas variantes. Primeiro não publiquei na galeria comum do projeto, fiz um álbum só para mim no Picasa. E depois, decidi que se esquecesse algum dia, não iria “repor”, o dia ficaria faltando. E se num dia qualquer eu ficasse em dúvida entre qual foto escolher para publicar, poderia publicar mais de uma. No mais, poderia haver outra(s) pessoa(s) ou objeto(s) na foto, ou apenas uma parte do meu corpo, mas EU precisaria ser parte da imagem, ainda que fosse na sombra.

O resultado:

Foi uma experiência muito interessante, pois há algum tempo eu era simplesmente “a que gostava de fotografar” e nunca “a que era fotografada”. Esse projeto permitiu que eu fosse as duas.  Você pode conferir todas as fotos aqui.

25-01-08 005

A primeira…

23-01-09 008

… e a última.

Fiz algumas observações sobre o processo e o resultado dele, quando cheguei ao final, no meu blog:

“Meu olhar sobre mim”. Este poderia ser o título da exposição fotográfica que eu faria. Com todas as fotos saídas do Projeto 365 dias, que comecei no dia 25 de janeiro de 2008 e expliquei aqui o que seria. Se seria sucesso de público e crítica? Não faço idéia. Mas eu, que nunca me considerei narcisista mas tenho como lema que modéstia não é a principal virtude de uma mulher, teria plena coragem de realizar. Se eu gostei? Não, não gostei. ADOREI. Adorei a experiência, adorei o resultado.

Sinceramente duvidei que chegasse ao fim. Quase não usei o disparador automático e tripé, acho que só umas 3 ou 4 vezes, se tanto, e fui eu mesma na frente e atrás da(s) câmera(s) por um ano quase inteirinho. Eu digo quase, porque falhei algumas vezes. Alguns dias eu simplesmente esqueci, outros eu tava muito down pra pegar a câmera e fotografar e em outros eu estava sem câmera (entre o desaparecimento da minha Sony e a chegada da Nikon).

Tudo bem, falhei alguns dias, mas em compensação, em outros fiz mais de uma foto e fiquei sem conseguir escolher a melhor para colocar on line. É que soa como um desprezo à foto preterida… e fotos são como filhos, você faz, quer que os outros admirem, e não dá pra escolher entre um e outro. Mas como em 366 dias (até aqui) fiz 459 fotos que podem ser vistas no meu álbum no picasa, considero o projeto um sucesso pessoal. Nem sei como vai ser parar de fazer esses auto-retratos. [Dá vontade de continuar fazendo Mais 365 dias, quem sabe???]

Estou olhando mil vezes as fotos, para sentir por onde vagou meu olhar sobre mim nesses 365 dias: Fotos basiquinhas, onde só apontei a câmera para o rosto e cliquei; pernas e pés; mãos; outras partes do corpo; big closes; na praia; em outras cidades; fotos acompanhadas de outra pessoa; com Namorado; fotos editadas digitalmente (outra diferença da Ciça: ela trabalhou bastante quase todas as fotos, tanto que as que saíram direto da câmera para o projeto, estão categorizadas – SOOC – e eu fiz exatamente o contrário)…

Num primeiro olhar (mentira, quantas 1488 vezes eu já olhei para elas?) já deu pra perceber que as mãos foram as campeãs, quase 100 fotos foram delas. Em geral segurando alguma coisa, poucas das mãos simplesmente, como essa daqui. Em raríssimas estou triste ou aparentando tristeza. Presentes nas fotos estão: livros, celular, computador e seus periféricos, comida… Na verdade ao ver isso, percebo que é como se eu não me bastasse, precisasse de algo mais para compor a foto. Sim, e qual o problema? Quem se basta já deve estar morto. Eu vivo, e vivo intensamente, cada um dos 365 dias de cada ano, e vivo assim: Rodeada de pessoas, livros e tecnologia. E com o olho na câmera fotográfica.

E você? Não quer começar um projeto semelhante, e repartir comigo?

Mais resultado:

Em 2010, já no Mestrado em Cultura e Turismo da UESC, escrevi um artigo científico sobre o projeto e a minha experiência, ainda não publicado:

Um estudo de caso sobre o projeto fotográfico “365 Dias”

Resumo

Este artigo relata o processo de se auto-fotografar diariamente durante 365 dias e publicar as fotos num álbum virtual na internet, analisando-o numa visão antropológica das Teorias da Imagem e utilizando a metodologia de Estudo de Caso. As facilidades trazidas pela fotografia digital e as interações possibilitadas pela internet foram aliadas ao estímulo de realizar um projeto fotográfico em médio prazo e traduzem em imagens a visão de si mesmo, tal como se vê ou como se quer ser visto.

Palavras-chave: fotografia, internet, identidade, auto-divulgação, projeto “365 Dias”.


[1] Mestranda em Cultura e Turismo, UESC, e-mail:anabelmasc@gmail.com

  1. Pingback: Um mês especial – Dia 8 «

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