Diário de Viagem – 4

O tempo pra postar está sendo curto, desde que saímos de Sampa. Estamos em Tatuí, na casa dos tios Rosalvo e Hilda, e ainda tem muita coisa pra contar de lá, desde o passeio gostoso com a Karina, ao reencontro com Dora e Luiz… E já estamos aqui há três dias, sendo paparicados pelos tios e pelas primas Débora, Cristiane e Cristina, e conhecendo a parte da família que nasceu nos últimos 20 (isso mesmo, VINTE) anos!

Incrivelmente, tenho feito poucas fotos. Aqui em Tatuí, passei dois dias sem pegar na câmera, é possível? Mas está sendo muito gostoso, muito bom mesmo estar com os queridos e matar as saudades.

Amanhã pegamos a estrada de Santos para embarcar rumo ao sul da América do Sul. No navio é que vai ser difícil – se não impossível postar, mas vou tentar, ao menos, escrever pra não esquecer.

E o pintinho piu…

Nem sei se devia estar escrevendo isso aqui, mas… comecei com um comentário a um post do Ernani que li via reader, mas quando cheguei no blog não estava lá (não estava mais ou não estava ainda, não sei). Ele escreveu fazendo uma comparação entre as “tribos” do colégio de alguns anos atrás e as relações via internet na contemporaneidade.

Muito próprio, aliás, como sempre. Em tempos de Luiza, navio, megagrávida, SOPA e o pintinho piu… a gente só tem mesmo duas opções: ou ignora tudo (como quase decidi fazer ontem, não abrir twitter, nem Facebook nem nada mais) ou respira fundo, faz uma faxina nas assinaturas do FB e follows do twitter e aguenta algumas idiotices por amor a quem as disse. (ih, rimou…) Mas tô com saudade de uma vida virtual sadia, daquelas de curtir azamigas, dar risada de bobagem e desabafar coisa séria e coisa não-tão-séria…

Tipo: eu ri de Luiza, compartilhei o vídeo original, achei legal as piadinhas todas que se fez… mas daí a isso pautar o JN, JH e Bom dia Brasil… acho demais. Parece que não tem assunto, não tem problema e nem boa notícia pra se dar… Aí  expus minha indignação do FB, quando  gostei do desabafo de Carlos Nascimento, e compartilhei o vídeo no FB. É mole, que uma ex-profa (lembra que eu fiz “Rádio e TV”?) veio questionar “Quem é o SBT, com o seu ‘quem quer dinheirooooo?’ ” Ó, eu fiquei na dúvida se fingia não ter visto, ou se respondia, (foi o que fiz) dizendo que o “quem quer dinheiroooo?” é besteirol assumido, e que os telejornais estão fugindo à sua premissa de informar, agora querem fazer piadinha o tempo todo, e isso realmente me incomoda. Mas já vi que é melhor ficar com minha “incomodação” e mudar de canal ou ler um livro, ou dormir… ou blogar, dando uma banana (sorry) pra quem não pensa igual a mim, afinal de contas, por que eu tenho que querer concordância em tudo que digo ou faço?

Enfim, tenho outra opção. Vou ali na AABB, comer acarajé, beliscar o guaiamum de Karol e pegar corrida de natação na piscina!

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UPDATE: A “velha” aqui ganhou todas! (Duas).

Eu, caçador de mim!

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 042

Esta foi a música com que que Milton abriu o show de ontem, no Centro de Convenções. Vocês não têm idéia do turbilhão de emoções dentro de mim.  Lembrei do tempo do Coral do Vitória, onde cantávamos muitas músicas dele, e do quanto essas músicas me falam. Literalmente, “há canções e há momentos que não sei como explicar..” “certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece: Como não fui eu que fiz?”.

Levei a câmera dentro do case, e fiquei quietinha, esperando pra ver se alguém falava algo sobre “não é permitido fotografar” antes de ameaçarem  tomar meu equipamento. Ninguém falou nada, e me senti à vontade pra encostar no palco (sentada no chão, pra não atrapalhar ninguém, que fique claro) e fotografar à vontade. As fotos não são grande coisa em termos de criatividade, já que ele não é o que se pode chamar de artista performático, mas se a emoção pudesse ser transferida para as imagens… ah, seriam explosivas!!!

A platéia estava num diálogo íntimo com o artista, que soube direitinho ir aonde o povo estava. Sinceramente eu não esperava tamanha participação. Não esperava nem que lotasse como lotou. Ilhéus está numa roda viva de shows bons – e relativamente caros – que a gente está precisando fazer escolhas, entre quais ir em detrimento de outros, e o de Milton nãoestava sendo tão comentado assim. Mas estava cheio. [Nós chegamos, Dinah, Marido e eu,  com uma hora de antecedência, já tinha uma fila inacreditável. Passamos por Marta e Tia Suzana que estavam no comecinho. Oh, angústia de viver o que se prega: lá fomos, honestamente, pro final da fila!!! Qual não foi nossa surpresa que, mesmo ficando no final da fila, sentamos uma fileira  na frente delas! Rá!]

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Quase duas horas de música pura, sem defeito. Com tantos pontos altos, que quando eu pensava que não poderia vir algo mais forte… ainda vinha!

Só começar com Caçador de mim… já bateu lá no fundo, mexendo nas minhas memórias. Depois, Coração de estudante, com outras memórias aflorando. Todo mundo cantando junto “E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol, é pra l´pa que eu vou!”, completamente inusitado, já que não é do repertório tradicional dele (está no último CD). Saber, pela boca do próprio, que Cravo e Canela foi composta aqui em Ilhéus, na década de 70, para Dina Sfat, trouxe um novo sentido à música, ou melhor, fez todo sentido!

“Nos bailes da vida”  foi outra pancada forte, quando me relembrou: “para cantar, nada era longe, tudo tão bom…” do tempo em que eu vivia de música, pela música e para a música. Deliberadamente fechei a porta da caixinha da memória, pois já estava ficando insuportável.

E veio a bomba mesmo quando ele sentou no banquinho e pediu que a platéia cantasse “Canção da América” pra ele. E não cantou mesmo, ficou regendo, ouvindo, sentindo… lindo demais!!!

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Delícia de noite… que ainda teve a oportunidade de subir no palco – a princípio para fotografar, mas depois pra tietar explicitamente, com direito a um abraço  e uma foto louca feita por marido.

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Olha meus pés ali no palco!!!

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                      Foto: Marido Carlos Mascarenhas

Saímos do show flutuando (pelo menos, eu). E fomos atrás de algo ara comer, mas Ilhéus ainda não aprendeu que depois de um show desse, que terminou meia noite, bares e restaurantes ainda deveriam estar abertos…  TUDO FECHADO! O máximo que conseguimos foi uma água de côco na  Avenida, numa barraquinha perto da Catedral, por pura bondade do dono, pois ele já havia fechado e guardado tudo, mas nos serviu assim mesmo. Mas aproveitamos o restinho da noite pra papear, Marta, Dinah, Marido e eu (tia Su ficou em casa).

Enfim… a nota dissonante foi uma mensagem no meu celular, que só vi depois que estava em casa: Nancy, que não avisou que viria, me viu no palco, ligou, mas o celular estava no silencioso (óbvio) e não nos encontramos! Smiley triste

Crítica musical? Nada! Só registro passional de uma noite linda! Obrigada, Amor, por me proporcionar tudo isso. Sua cumplicidade faz tudo ficar ainda mais lindo e emocionante!

[Ah, e ainda fiquei com um excelente material para o Curso Avançado de Fotografia, no tópico “Fotografia de Palco”.]

Foi como tinha que ser

Num domingo nublado, cinzento como devem ser os dias de despedida, fomos nos despedir materialmente de Martial, espalhando suas cinzas sobre a areia da praia onde ele gostava de jogar baba, aos domingos, com os companheiros da AVEP.

Foi dolorido, emocionante, mas lindo. Tocante. Como deveria ser. Lágrimas rolaram dos olhos, engasgos se ouviram na voz de quem tinha que falar… mas tudo foi como tinha que ser.

Acho que ele estava rindo, feliz, vendo o que a gente fazia. Vendo as lágrimas, os sorrisos, e a felicidade que família e amigos tiveram, por conviver com ele, por amarem e se sentirem amados. Sim, com certeza ele estava gargalhando!

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Mas é impressionante a diferença que faz a presença de uma criança nesses momentos de dor!

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(Lilás, sobrinha-neta de Martial e Celina)

 

PS- Este foi um momento especialmente emocionante para mim, pois Martial foi a pessoa responsável por hoje eu ter Marido. Veja aqui porque.