Sim, isso quer dizer amor.

Para ouvir enquanto lê:

 

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo a frente do sol.
Abri a porta e antes de entrar,
Revi a vida inteira…

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois:
Sinais de bem, desejos vitais,
Pequenos fragmentos de luz…

Falar da cor dos temporais,
De céu azul, das flores de abril…
Pensar além do bem do mal,
Lembrar de coisas que ninguém viu…

O mundo lá sempre a rodar,
Em cima dele tudo vale.
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer?

Pensei no tempo e era tempo demais…
E você olhou, sorrindo pra mim.
Me acenou um beijo de paz,
Virou minha cabeça!

Eu simplesmente não consigo parar…
Lá fora o dia já clareou.
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar,
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser,
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você…

O mundo lá sempre a rodar,
Em cima dele tudo vale.
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer?

(Milton Nascimento e Lô Borges)

O plano era escrever sobre outra coisa, mas fui colocar link para a série “confissões” e cabei me perdendo lendo o que já escrevi (adoro fazer isso, me redescubro a cada vez…) e o foco do post mudou.

Acho que todo mundo que lê aqui sabe que mamis não está bem de saúde já faz um tempo, o que nos levou até a mudar de casa, e vir pra perto dela. Acho também que já falei muitas vezes aqui que o nosso relacionamento (meu e dela) nunca foi 100%, ou melhor, nunca esteve nem perto do patamar normal de mãe e filha, o que me deixava morrendo de inveja das amigas que tinham um relacionamento normal com suas mães.

Não quero falar agora sobre  as origens disso, mas sim sobre a realidade do tempo presente.

Hoje esta canção está sendo a nossa realidade: “Falar da cor dos temporais, do céu azul, das flores de abril, pensar além do bem e do mal, falar de coisas que ninguém viu…” Acho que nunca conseguimos nos entender como agora. Nunca conseguimos conversar como agora, sobre todo e qualquer assunto, sem que partíssemos logo pra um embate ideológico, onde ficávamos em lados opostos instantaneamente.

Quando ela adoeceu, jamais me passou pela cabeça não assumir TODOS os cuidados com ela. Mas hoje compreendo que até o ano passado, isso era como uma obrigação. Eu pensava: “Ela cuidou da mãe dela até os últimos instantes. Não é justo que a filha dela não cuide dela.” E fiz tudo o que precisou ser feito, de banho, troca de fraldas, limpeza de sangue de hemorragia retal, TUDO. Mas quando a doença atingiu a mente dela, e eu a vi completamente indefesa… aí algo bateu mais forte.

No meio da confusão mental ela a cada dia rejeitava alguém, mas EU nunca fui a bola da vez. Ela me “obedecia” sem questionar, e não poucas vezes eu me identifiquei ao médico como “a mãe da paciente dele”, num ato falho que denotava exatamente como me sentia. E todo mundo sabe o que é amor de mãe… Já melhorando, ela me chamava de mãe ou de babá, pra fazer graça… mas foi assim que me senti, mesmo. Responsável por ela.

Só que essa fase crítica passou e hoje estamos num equilíbrio gostoso de amizade, cumplicidade, parceria… e não tenho dúvida: isso quer dizer amor. Estrada de fazer o sonho acontecer.

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Um dos dias em que mais chorei na vida: quando ela rolou escada abaixo! Ainda bem que ficou só na lembrança e a cicatriz no braço quase não se vê…

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Da série “Confissões”.

A Intense publicou uma listinha de coisas pra marcar o que a gente já fez. E lá vou eu na “perfumaria”, como diz Marido; “post leve” como diz ela. Comentando, of course.

01. Pagar uma bebida aos amigos. Vale Coca ou água de côco, não vale?
02. Pegar num tubarão.
Numa exposição no xops de Itabocas. Era um casal de Tubarões-lixa, que se chamavam Sandy e Júnior! Tosco, eu sei, mas é verdade. E foi super gostoso!
03. Dizer “eu te amo” sentindo amor de verdade. 
Muitas vezes na vida. E pra muitas pessoas. Amores diferentes, mas amores.
04. Abraçar uma árvore.
Serve “abraço coletivo” pra impedir que a árvore seja cortada? Então já.
05. Achar que vai morrer.
Ô!
06. Ficar acordado a noite inteira e ver o nascer do sol.
Ou “o por-do-sol nascer”, como diziam meus meninos quando eram pequenos!
07. Não dormir por 24hrs. 
NEVER. “Lembra que o sono é sagrado, e alimenta de horizontes o tempo acordado de viver…” 
08. Cultivar e comer os teus próprios vegetais.
Servem cebolinhas e tomates? Então já.
09. Dormir sob as estrelas.
AINDA não. Mas um dia eu durmo!!!
10. Mudar a fralda de uma criança. Ih, nem dá pra contar.
11. Ver uma estrela cadente.
E isso existe de verdade, gente?
12. Ficar embriagado. Nop.
13. Doar coisas pra caridade.
Muuuitas vezes, sou PhD em desapego!
14. Olhar para o céu e achar o cruzeiro do sul. Sempre!
Junto com as Três Marias, são as únicas constelações que consigo identificar.
15. Ter um ataque de riso na pior altura possível. E gerar altos constrangimentos!
16. Fazer uma luta de comida.
Não lembro direito, mas acho que já. Pelo menos de pipoca.
17. Apostar e perder.
Oxe! E alguém SÓ aposta e ganha? Essa roleta tá viciada…
18. Convidar um estranho para sair. Defina Estranho.
19. Fazer guerrinha de papel.
Na escola, em casa, no trabalho…
20. Gritar o mais alto que puder.
De medo, de susto, de raiva, de felicidade…
21. Pegar num cordeiro.
Sou urbana, gente!
22. Andar de montanha russa.
Não muito poderosas, mas a do Playcenter vale, né?
23. Dançar como um louco e não se preocupar se estão olhando.
“Eu não sei dançar… […] pra te acompanhar!”
24. Falar com sotaque por um dia inteiro.
Eu falo com sotaque por uma vida inteira. Ou não?
25. Estar mesmo feliz com a tua vida.
Se não estiver, eu luto pra ficar!
26. Ter dois hard drives para o computador.
Dois internos e dois externos!
27. Conhecer o teu país.
Todo? It’s impossible! Mas conheço um bocado!
28. Cuidar de alguém embriagado.
Meus amigos são todos sóbrios!
29. Ter amigos fantásticos.
Oh, yeah!
30. Dançar com um estranho. Eu nem danço com conhecidos!!! (
Marido me deve essa!)
31. Roubar uma placa/sinal de trânsito.
Já desejei roubar um cone, mas ficou só no desejo!
32. Fazer um passeio de noite na praia.
Ah, isso é “de lei”. Nasci e cresci na praia, e à noite é mais gostoso ainda que de dia!
33. Ficar de coração partido mais tempo do que se esteve realmente apaixonado. Tá maluco? Coração se parte, mas cola rapidinho!
34. Sentar na mesa de um estranho num restaurante e comer com ele.
E continuar sendo estranho. Em mesa de shopping lotado, quem nunca pediu licença pra dividir a mesa com alguém sozinho?
35. Imitar uma vaca.
Muuuuuuuu!
36. Fingir que se é um super-herói. Se fiz, não lembro!
37. Cantar karaoke.
E tirar nota baixíssima, porque não canto gritando!
38. Mergulhar. Só com snorkel, em Boipeba.
39. Beijar na chuva.
Oooow, como é bom!
40. Brincar na lama. Idem ao do super-heroi.
41. Brincar na chuva.
Ah, jogar futebol com os primos na frente da casa de tia Suzana, onde o cimento lisinho era desnivelado e era quase uma piscina! E na piscina da casa de vovó Alzira também!
42. Apaixonar-se e não ficar de coração partido.
Atualmente estou nesta fase. Alegre
43. Visitar locais ancestrais.
Fui a Camamu, cidade de minha avó, levá-la depois de uns 60 anos que ela não voltava lá.
44. Fazer uma arte marcial.
Hã???
45. Entrar num filme.
Defina “entrar”. Se for entrar atrasado no cinema, sim. Se for como “a Rosa Púrpura do Cairo”, não. E nem como atriz. 
46. Ser penetra numa festa.
Sou disso não!
47. Ficar sem comer 5 dias.
E eu já morri???
48. Fazer um bolo sozinho.
E fica gostoso, viu? De milho verde ou “nega maluca”.
49. Fazer uma tatuagem.
Só de henna. De verdade, não tenho coragem.
50. Receber flores sem razão.
Quer dizer, sem data especial, né? Porque sempre haverá uma razão para alguém dar flores, ne que seja só porque simplesmente QUIS!
51. Representar num palco.
Desde criancinha!
52. Gravar música.
Em estúdio profissional, inclusive. O que não significa que ficou boa!
53. Ter um caso de uma noite.
Que é isso? Sou uma mocinha bem comportada!
54. Guardar um segredo.
Pode confiar.
55. Cantar bem alto no carro e não parar quando perceber que tem gente olhando.
E eu ligo??? Rá!
56. Sobreviver a uma doença em que se podia ter morrido. Váaaarias.
57. Perder dinheiro.
Em investimento mal feito, na rua e na bolsa (pra achar beeeem depois!)
58. Cuidar de alguém com dor de cotovelo.
Sempre tem uma amiga necessitada! Diclofenaco nela!!!
59. Fazer uma festa legal. Defina “legal”. Pra quem?
60. Partir o coração de alguém. Quem sabe???
61. Fazer um piercing. Nop. Idem tatoo.
62. Andar de cavalo.
Muitas vezes quando criança. Depois de adulta, nunca mais.
63. Fazer uma grande cirurgia.
Várias: Tireoidectomia, histerectomia, duas cesáreas, remoção de costela cervical… e seilámaisquantas!
64. Comer sushi. AMOOO!
65. Ter uma foto sua no jornal.
Sou famosa na Capitania, benhê!
66. Mudar a opinião de alguém sobre alguma coisa em que acreditas profundamente. Quem me conhece sabe que eu sei ser persuasiva quando quero. Smiley piscando
67. Fazer de um inseto um animal de estimação. Eca!
68. Selecionar um autor importante que não trabalhou na escola e lê-lo. Vários! Saramago, Kafka, Érico Veríssimo…
69. Comunicar com uma pessoa sem partilharem uma língua comum. Vale a língua da mímica?
70. Escrever a sua própria linguagem no computador.
Defina linguagem.
71. Pensar que está vivendo um sonho
.
Ô!
72. Pintar o cabelo.
Desde que me entendo por gente!
73. Ter relação com alguém do mesmo sexo. Não. Sou tradicional.
74. Comer meleca. Eca!
75. Salvar a vida de alguém. Meus bebês engasgados, tossindo ou afogando. Mas acho que já salvei a vida de muitas pessoas indiretamente.

A Inveja é uma merda

Não é novidade: às vezes a gente lê algo escrito num blog… e pensa: vou fazer igual! “Igual” é maneira de dizer, porque nunca sai igual. Mas eu gosto quando a leitura de um post me traz inspiração pra escrever o meu. E hoje foi uma listinha no blog da Luisa, que eu descobri muito recentemente, apesar de sentir que a conhecia de muito tempo, mas isso é uma outra história.

Hoje a história é sobre inveja. Mas não inveja no sentido Aureliano, de

inveja. [Do lat. invidia.]
Substantivo feminino.

1.
Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem.
2.
Desejo violento de possuir o bem alheio.


…que essa, é mesmo uma merda. Mas inveja no sentido de “eu também queria...” , dá pra entender? E a listinha da Luisa dá tão direitinho pra mim, que tive que apagar completamente, pra não sair igual. Agora tenho inveja de quem escreve o que eu gostaria de ter escrito!!!

  1. Tenho inveja de quem sabe dançar. Mas dançar direito, sem enroleichan.
  2. Inveja de quem tem coragem de ousar nas roupas (cores, modelos), nas bijoux, no cabelo…
  3. Inveja de quem não tem preguiça de malhar nem de caminhar.
  4. Inveja de quem gosta – ou pelo menos suporta – o frio e as roupas a que ele obriga. (Isso é porque hoje ele chegou, e eu já fiquei azeda!!!)
  5. Inveja de quem tem auto-controle absoluto em momentos de estresse e não chora, nem treme, nem levanta a voz. (Se bem que ultimamente eu até tenho conseguido um bocado desse auto-controle)
  6. Inveja de quem deita e dorme 8 horas por noite, sem remedinho nem nada.
  7. Inveja de quem consegue lembrar os motivos de ter tomado essa ou aquela decisão. E consegue explicá-los sem precisar dizer: “eu sei que teve uma razão, mas não lembro qual…”
  8. Inveja de quem consegue sentar “bem sentado”, sem colocar os pés onde não deve.
  9. Inveja de quem consegue escrever tudo o que quer sem parar mil vezes e terminar desistindo no meio do caminho, como eu, agora.

8 coisas que não faço nem morta

Copiando a idéia da Cissa, que fez referência a esse post.

1. Vender minha consciência. Seja a que preço for, e por mais que estiver necessitando de grana.

2. Deixar de tomar Coca-cola. E, por favor, parem com a campanha surda atrás de mim. Não me enviem aqueles e-mails terroristas (isso é crime) dizendo que eu vou morrer se continuar tendo prazer com a pretinha.

3. Entrar no msn on line sem olhar antes quem está lá e tomar os “devidos cuidados”.

4. Brincar num pula-pula de novo. Mico eu aguento, King Kong, não.

5. Perguntar: “por que eu sou assim???” em tom de desespero, em alguma das situações em que me meto por ser DDA.

6. Ativar o espião do orkut. Xô paranóia! Quem quiser me visitar, fique à vontade. Se não for meu amigo, não verá minhas fotos nem meus recados!

7. Comer: fígado, giló, maracujá e seus derivados, ostra, lambreta, lula e todos os mariscos melentos, miolo, buchada, fatada e as outras “adas” que não lembro agora, acarajé fora da Bahia e qualquer coisa que me cause repugnância só de olhar. Eu não vou trair minha intuição feminina.

8. Trair seja lá quem e o que for. Compromisso é compromisso, e se precisar ser desfeito, será às claras, na base do jogo limpo.