Entre fotografar e escrever…

Estou entre a cruz e a caldeirinha, entre duas coisas que gosto – e acho que faço bem – mas é como se uma anulasse a outra. Tenho fotografado muito – e divulgado pouco. Escrito menos ainda. E uma coisa está ligada à outra.

Para divulgar minhas fotos, gosto de escrever a história delas, o que motivou, o que aconteceu durante e o que elas geraram, seja em sentimentos pra mim, ou em algo palpável. E aí a coisa pega. Tenho tido pouco tempo pra escrever (vide a quantidade de posts nessa casa linda que me abriga), tenho tido muitos outros trabalhos, resposabilidades que não posso deixar de cumprir… e a escrita vai ficando pra trás, carregando com ela a divulgação das fotos. Além disso, tem os Cursos de Foto, que precisam acontecer, mas estou tendo problemas com datas…

Mas de vez em quando (muito de vez em quando mesmo) eu paro pra ler (livros, artigos, blogs, textos em revistas…) e bate ALOKA da vontade de escrever. Mas aí o cérebro DDA se enrola na multidão de assuntos e não decido a prioridade… e continuo sem conseguir colocar “no papel” o que está na cabeça.

É, vira e mexe a culpa é dele, do Distúrbio de Déficit de Atenção (está renomeado agora, chamam TDAH, TDA, ou sei lá como, mas´pra mim continuará sendo DDA). Aquele que me desestrutura, que me me deixa frustrada com um monte de coisas, mas que também me impulsiona pra frente, me dá o título de criativa e alto astral (oi?) e serve pra acalmar meu interior (oi²?) quando entro em desespero com todas as minhas questões existenciais.

O tempo de editar fotos, entregar a clientes, escrever sobre, publicar online, planejar exposições em papel… não chega, nunca é suficiente. Por gentileza, não venham com soluções simplistas (já estou ouvindo Marido dizer: defina prioridades, aja e pronto!), eu não sou uma pessoa simples!

Desejo fazer listas TO DO em ordem de prioridades, mas faço e não cumpro. Hoje foi um dia histórico, entreguei um book de bebê e um site prontinho (que tinha prazo até 30/12 \o/ ), fui ao DETRAN pegar a 2a. via do DUT do meu carro véio que finalmente será vendido e consegui sair com MArido pra tomar uma água de côco e comer um acarajé no final da tarde.. Mas as minhas íris desabrochando, que filmei e Marido fotografou, continuam aqui, no HD, sem mostrar a carinha ao mundo. E as fotos de Cacau que irão ilustrar um livro editado e publicado na Holanda, estão fritando meu juízo na hora da escolha…  mas preciso entragá-las até amanhã.

Mas amanhã tem uma ação de limpeza da praia que resolvi fotografar… e lá vamos nós de madrugada, sem ter hora pra voltar. Ah, e já faz uma semana que Santa Michela entrou de férias, o que leva à agonia diária dos serviços domésticos  = estresse elevado à 10ª potência. Resultado: Vou acordar cedo, sair, voltar, dormir, e depois trabalhar atéeee terminar de editar as fotos de Cacau. Só então vou pensar em outras coisas, como fazer as unhas, editar o vídeo e fotos das íris, cuidar do jardim e… escrever um post decente.  Quem viver… verá!

Íris - 07-12-2011 - Bel 009

Íris: uma fechada e outra aberta!

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Desabafo

Não se assustem, este não é um post-deprê, ou um post-vômito como alguns outros que passaram por aqui. É só um desabafo de uma pessoa que tem uma cabeça que não pára e um corpo que não acompanha a cabeça.

Ser DDA não é fácil não, gente. Precisa tomar remédio pra dormir, porque a cabeça não desliga, vive ligada em 220v e em 1488.000 rotações por minuto. Mas ao mesmo tempo o corpo se encosta no primeiro coqueiro que vê, porque não dá ânimo nem de armar a rede.

Tenho tanta coisa pra escrever, tanta coisa pra contar, tanto pra dizer… quero ver tantas pessoas, quero assistir tantos filmes, ler tantos livros… quero ir a tantos lugares, tirar tantas fotos… “eu tenho pressa e tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim…”

Deixa só eu fazer umas bolinhas aqui, só pra se der, pensar em escrever sobre.

Pausa

Parei aqui porque recebi a notícia da morte de um amigo querido, de alguém que foi MUITO importante na vida de Marido, e essa notícia me deixou sem ação, pois tudo aconteceu muito rápido.  De repente tudo que me parecia importante nesse “desabafo” deixa de fazer sentido, perde a importância e até some da cabeça. Assim, o desabafo fica pela metade, quem sabe depois eu consiga retomar a linha de pensamento…

30 de setembro, dia da secretária.

Se me contassem há algum tempo atrás, eu ia rir e dizer que era IM-POS-SÍ-VEL. Pois foi o que rolou no G-talk com Jady hoje:

Jady: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
me acabando de rir com as 3 primeiras linhas do post kkkkkkkkkk

eu: quais? do meu? nem lembro o que foi…
kkkkkkkkkk
Jady: tua cara que nao deve tá boa
eu: ah, nem imagine. tá “linda”!
E a tarde de hj… foi igual ou pior que a de ontem.
Hj foi brigando com o sistema, pra pedir carro e alimentação para os palestrantes. Errei 1488 vezes, tinha que ligar, pedindo pra cancelar a requisição… só eu mesmo!
Jady: kkkkkkkkkkkkkkkk sorria, vc está sendo filmado
eu: E amanhã é “dia da secretária”, tem evento na universidade, com almoço na churrascaria chique e tudo mais. eu mereço! justo qdo tô tomando moderine aparece um rodízio de churrasco.
(tu tás ligada que eu sou secretária?)
Jady: kkkkkkkkkkkkkkkkkk Bel… Quando tu falou eu não acreditei com ISSO seria possível kkk
eu: eu ser secretária? kkkkkkkkkkk
pois pense…
eu completamente enrolada, perdendo prazos e documentos… mas meu chefe me adora
e meus meninos também!!!
(Eu devo ser gostosona!!! kkkkk)
Jady: kkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
mas tu é “adorável”… pode dizer
“fazer o que se eu sou gostosa?”
eu: tenho certeza que serei a “funcionária homenageada” na formatura. pena que ainda vai levar 4 anos! kkkkkkkkkkkkk
Jady: kkkkkkkkkkkkkkkk
ao menos seu “senso de humor” não foi embora
eu: kkkkkkkkkkkkkk
tu nem imagina: eu repeti: “eu vou chorar” hj 1488 vezes. e a sala tava cheia, todo mundo ria
cada vez que eu descobria um erro nas requisições.

[…]

Mas, acreditem ou não, eu ESTOU secretária. E mereço comemorar o dia de hoje (na verdade, de amanhã, pois estou escrevendo na noite do dia 29). Nunca, nem em meus mais remotos pesadelos, achei que toparia com uma idéia de jerico dessas: eu, secretária. A pessoa mais desorganizada que conheço na vida: EU. A pessoa que mais se enrola com compromissos agendados: EU. A pessoa que tem agenda mas não sabe como/quando/onde/porque usá-la: EU. Secretária. Hum. Queria saber quem foi o demente que disse que isso era minimamente viável.

Mas o fato é que os dias estão passando, um após o outro, e já fazem seis meses que estou aqui. Errando – muito – e acertando – sempre que dá, tentando ser solução e não problema, querendo mudar a maneira de uma secretária de colegiado ser vista por aqui, e, apesar de reclamar um bocado por ter que passar 8h por dia nesse cubículo insalubre [quem já visitou sabe que não estou mentindo], acho que estou dando conta do recado. E hoje (amanhã) é dia de me juntar aos colegas secretários para passar um dia “diferente”, com palestras, ginástica laboral (ui!), discussões sobre leis e a profissão, e almoço numa churrascaria. Vou levar a câmera, e registrar os acontecimentos. E agradeço os parabéns e as piadinhas.

********

UPDATE:

Nem conto procês: A única coisa boa foi o almoço. Passamos a manhã inteira ouvindo as razões legais (legais de lei, não legais de ser bacana, sacomé?) de não termos estagiários. Pra a grande maioria foi “de não ter mais estagiários”, mas pra mim foi “de não ter”, porque eu nunca tive. A Lei 11.788/2008 acabou com a alegria dos estágios (pra ambos os lados), e fez chegar à seguinte conclusão: Ter estagiário agora dá mais trabalho do que o trabalho que se faz no lugar dele. Então tá. E assim foi o “dia da secretária”.

Ah, ganhei um brigadeiro de um dos professores, e um batom em formato de moranguinho (lembrei da minha adolescência) de outro, além de e-mails e “parabéns” da galera do Colegiado/Departamento.

Pra quem não É secretária até que foi bom. 😉

Uma carta para mim

Querida:

É muito difícil acreditar que as coisas e pessoas que fazem nossa realidade tao intensa numa época não serão para sempre. Você aos 22, transbordante de felicidade e cheia de idéias e ideais, nem imagina o quanto sua vida vai mudar nos próximos 22 anos. (Na verdade, não é SUA vida, mas a MINHA vida, mas imagine apenas que quem lhe escreve é uma mulher madura, de 44, que experimentou vários tipos de mudanças, transições, transformações.)

Você é feliz, e sabe. A frase “eu era feliz e não sabia” não cabe em você. Mas escute-me e acredite: Existem muitos tipos de felicidade.  Assim como para perceber a felicidade é necessário conhecer a tristeza, você também tem essa consciência. Por isso você dá tanto valor à felicidade que agora sente. Desfrute-a, mas não pense que ela é eterna. Muitas coisas ainda acontecerão na sua vida que irão lhe dar a exata dimensão da ação de Deus na sua vida exatamente nos momentos em que a felicidade aparece em seus momentos extemos: de presença que preenche todos os espaços ou de ausência que deixa um vazio enorme.

Você vai experimentar todos os sabores das emoções. O azedo do medo, o amargo da tristeza e da desilusão, o doce da vitória e da alegria… e aqueles indescritíveis que só o paladar emocional pode provar.

Seus valores irão mudar, sua percepção da vida vai mudar, você vai mudar. Porém mais do que mudar simplesmente, você vai entender as mudanças ao descobrir um fato que será determinante na sua auto-aceitação, tão difícil até aqui. Você (e mais um monte de gente, não se preocupe) tem deficiência de um neurotransmissor (dopamina) no córtex pré-frontal, o que afeta sua vida de maneira prática numa forma que você nem imagina. E vai descobrir isso somente perto dos 40 anos, vai chorar ao ver que muitas das cobranças que você mesmo se fez poderiam ser respondidas clinicamente, mas o choro vai ser uma espécie de redenção; com essa compreensão você vai partir para um processo de libertação do sentimento de culpa e dos rótulos que lhe colocaram e você aceitou ao longo do caminho. É claro que se esta compreensão chegasse antes, trazendo com ela a libertação da culpa e dos rótulos, sua vida seria muito mais fácil. Mas eu me pergunto: Aos 22 (ou aos 16, aos 18, aos 30…) você teria maturidade para entender tudo isso, como entendeu aos 39? Não saberemos. Em todo caso, vai ser bom se conhecer melhor, você vai ver.

Alguns amigos de hoje serão presença constante, outros tomarão “chá de sumiço” por algum tempo mas voltarão ao seu convívio através de uma coisa que você ainda não conhece, mas vai ficar deslumbrada quando experimentar: a internet. (Mas isso é outra parte da história.) Não se engane: alguns dos que você pensa serem amigos, não chegam nem perto disso, suas decepções serão grandes, mas outros virão para lhe provar que amizade verdadeira existe, e quem sabe o quanto dói a decepção valorizará ainda mais os amigos fiéis.

Não fique triste por não ter um bebê nos braços. Está muito perto disso acontecer, e serão emoções intensas desde o início da gravidez até o momento da realização desse desejo. Nem tenha medo da tarefa de ser mãe. Você vai dar conta, e muito bem. 😉 Aos 44, você verá dois lindos jovens que refletem muito do que você é hoje, numa edição melhorada.

Seu rumo profissional também vai dar uma guinada a ponto de você se questionar se valeu a pena andar por esse caminho até então. E você mesma vai se responder que tudo que experimentou na vida lhe conduziu ao que é hoje. Se as experiências fossem diferentes, se as escolhas tivessem sido outras, a pessoa que você se tornou também seria outra. Melhor? Pior? Não sei. Diferente, com certeza.  Mas, quer saber? Você é gente boa! (E ninguém melhor do que eu pra te dizer isso, já que te conheço melhor do que qualquer outra pessoa.)

Bem, eu ainda teria muita coisa para dizer, mas aos 22 você não entenderia… certas coisas só mesmo com a maturidade e com a experiência podem ser realmente assimiladas e conselho… só se dá a quem pede, não é assim que dizem?

Então, minha querida, vá vivendo, um dia de cada vez, sem querer mudar o mundo sozinha. Basta mudar o SEU  mundo, já é suficiente. Ah, e além de usar filtro solar, tome banho de chuva.

 

Silveira na Ilha 02-05-2009  (135)

 

 

Esta “carta para mim” é parte da blogagem coletiva promovida pela Elaine, pelo aniversário do seu blog Um pouco de mim.

elainegas

Elaine, muito obrigada por permitir que eu me dissesse coisas que eu precisava ouvir, mesmo hoje. Um beijo, querida, e parabéns pelo aniversário do blog!