“O tratamento pela escrita”

Título de matéria da revista Isto é de 18/01/2012, a “expressive writing” está sendo reconhecida pela medicina. Para nós, que vivemos essa experiência nos blogs – e não é de hoje – é um pouco que chover no molhado, mas é também o aval científico de que “botar pra fora” faz bem.

Uma amiga, médica, certa vez foi convidada a falar para mulheres sobre “alimentação saudável”, e me chamou para acompanhá-la. O público era basicamente de donas-de-casa, casadas, com mais de 50 anos… e que cozinhavam diariamente para suas famílias. Então minha amiga começou assim: “Eu não sei o que estou fazendo aqui. Eu sou médica, não sou cozinheira. E sei que vocês sabem mais do que eu o que é melhor para a saúde de seus maridos e filhos: nada de excessos: gordura, açúcar, sal… frutas e verduras são bem vindas; azeite doce é melhor do que óleo de soja, e por aí vai. Não sabem?” Todas, obviamente, concordaram. E a Dra. continuou: “Mas tem uma coisa que faz mais mal do que fritura, sal ou carne de porco gorda: Engolir sapo.” Todas riram por um momento, mas depois caíram em si, que era o que elas mais “comiam” todos os dias.

E não somente elas, mas todos nós. Engolimos sapos diariamente, pelo bem dos relacionamentos, da boa vizinhança, da manutenção do emprego… existem coisas que não podem ser ditas ou respondidas como deveriam. Qual a solução? Chutar o balde e dizer na lata tudo o que queremos? Impossível. Por mais que alguém diga que faz isso, sempre existem momentos em que precisamos controlar a língua. E é nessa hora que a escrita é o caminho.

Seja num caderno de papel, num blog ou num projeto de livro, numa carta que nunca será enviada ou num bilhete em que se mede melhor as palavras do que quando se diz na hora, com a cabeça quente, é um caminho para vomitar o sapo engolido. Pode ser prosa ou poesia, crônica ou conto com jeito de ficção, direta ou indireta… Escrever é terapia! Novidade? Claro que não. Este blog mesmo, começou pra servir de canal de desabafo no pior momento de minha vida até então. Aqui eu chorei, gritei, reclamei, vomitei…mas também cantei, dancei, vibrei, celebrei… e, de cara lavada, mostrando fotos minhas e dos meus queridos, assumindo plenamente minha identidade.

Através do blog conheci pessoas que passavam ou já haviam passado por situações semelhantes, nos unimos, nos ajudamos… uma verdadeira terapia de grupo! Sim, pois os comentários dos blogs ou e-mails que as postagens estimulam a ser escritos, são valiosíssimos. O estudo mostrado na Isto é fala que pessoas com blogs abertos a comentários reagem melhor à “terapia da escrita” do que aquelas com blogs privados.

Sei que alguns preferem – ou precisam – usar pseudônimos, nicknames ou simplesmente não liberar o blog para outras pessoas. E isso é válido. Muitas vezes eu pensei em como seria diferente se eu pudesse falar tudo o que quero, e isso só seria possível se as pessoas que me lêem não soubessem quem eu sou. Como escolhi me mostrar, tenho que arcar com o ônus de me policiar aqui também. Mas aí as indiretas e entrelinhas contam, ajudam e assim vou fazendo minha terapia.

Fiz amizades aqui, no blog, com gente que só usava pseudônimo e depois se assumiu e continuou com o mesmo blog. Também teve gente que escreveu, se arrependeu e apagou tudo. Outras escreviam por orientação da “Tia Terapeuta”, e quando tiveram “alta”, pararam com o blog “anônimo” e passaram a ter um “assinado”. Pra mim, essa é a maior prova de que funciona, sim! Escrever tanto sobre coisas boas quanto as ruins, sobre os medos e frustrações, os sonhos e realizações. Repartir dores e experiências de cura. Tudo isso eu tenho experimentado e não me arrependo.

Já perdi a conta de blogs que nasceram por incentivo direto ou indireto de minha parte, das minhas palavras ditas ou escritas, e mesmo da minha ação em criar o blog alheio. Fico feliz cada vez que penso nisso. E quantas vezes mais eu puder incentivar alguém a escrever, eu farei. Porque acredito nisso.

Só pra finalizar, um quadro, da matéria da Isto é sobre a escrita como terapia:

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Vomitando pra ver se alivia

Desculpem, este é mais um post-vômito, se você tem o estômago fraco, clique logo no xis ali em cima e acabe com a história. Vou avisando logo que vou tentar travar os comentários neste post, se eu não conseguir, respeitem minha vontade, e, por gentileza, não me mandem e-mail perguntando o que está acontecendo. Tudo que eu sei estou colocando aqui.

Já faz alguns dias que estou azeda, e não falo do estômago somente. Está tudo com aquela cor verde azeda, se vocês não sabem, melhor ficar sem saber que sensação é essa.

Sinto falta da minha vida, de fazer coisas que eu gosto, de trabalhar e ver o dinheiro entrar, de curtir pessoas de quem eu gosto, e de me sentir amada. Pode ser que tudo isso que estou sentindo seja só mesmo “sensação”, mas juro que eu queria poder fazer alguma coisa prática e palpável pra mudar isso.  A sensação (e vou repetir essa palavra 1488 vezes, para que fique bem claro que é O QUE EU SINTO, e que não precisa necessariamente ter uma RAZÃO para sentir) é de que preciso fugir, seja viajando, dormindo ou gastando tempo num joguinho besta no facebook.

Não estou satisfeita, tudo me irrita, não tenho fome e ao mesmo tempo como normalmente – ou mais do que deveria (vá entender…). ACHO que irrito todos com quem tenho contato, estou “dando choque” por todos os lados, parece que meus poros exalam eletricidade.

Morro de sono o dia inteiro, e quando deito pra dormir não desligo. [Para isso, tem a explicação do DDA, da falta de  (insira aqui o nome do hormônio que eu me esqueci) no córtex frontal, que faz o cérebro ficar ligado em 440w 24h por dia ou quase isso – mas não me convence.]

PARECE que a realidade que eu vejo não é a mesma que todo mundo vê, em qualquer situação. Minhas palavras caem num poço sem fundo ou são levadas pelo vento sem que qualquer pessoa dê a devida importância – ou a importância que eu gostaria. SINTO que as minhas prioridades não são as prioridades de ninguém, ou pelo menos não de quem me importa em alguma instância.

Tenho muitos desejos, sonhos, projetos, mas todos ficam naquela fase de “porta entreaberta” sem que eu consiga enpurrá-la de vez e meter o pé, seja o direito ou o esquerdo, e começar a caminhar por um caminho que leve a algum lugar. Sinto-me amarrada, empurrada pra um caminho que não é o meu, mas que tenho a SENSAÇÃO de que é o que eu DEVO seguir.

Não quero ver ninguém, nem conversar – telefone me enoja, vocês não fazem idéia – e ao mesmo tempo acho ruim ficar sozinha.  Quero me enfiar num buraco onde não veja nada, e ao mesmo tempo tenho angústia de escuro. Quero sair de casa, ver gente, ver o sol, o céu e o mar, e ao mesmo tempo não quero nem trocar a roupa e calçar sapato pra sair. Quero chutar o balde, mas nem tem balde pra chutar. Quero chorar, mas só consigo ficar com os olhos pesados e aquela sensação de farpas invisíveis que só sumiria com uma torrente bem forte do líquido salgado.

Acabei de me lembrar de uma frase que Jady me disse outro dia: Pra todas as situações, o remédio é água salgada, seja do mar, das lágrimas ou do suor. Infelizmente meu trabalho não gera suor e eu não tenho estrutura pra academia. Como não consigo chorar, restaria o mar, mas tem chovido tanto que ele está marrom e sujo, opção inválida. E agora, José? (Ainda bem que aqui não é o twitter, senão o @josereal viria me responder com alguma gracinha.

Por favor, ninguém se sinta ofendido com este meu desabafo, como naquela propaganda de carro, “o problema não é com você, é comigo”.

Diálogo no frio

Estou chata, com tanto frio. Os sites de previsão do tempo na internet disseram que hoje deu 25º aqui em Ilhéus.  Sim, eu poderia estar doente, mas 25º não era, nem aqui nem na China.

Nem sei se na China a essa época do ano está fazendo frio ou calor, mas aqui não tem cara de primavera, não: O frio queimou as folhas dos meus girassóis-únicos-em-cada-vaso [vou ter que plantar outros], inibiu a produção floral das íris e não me deixa mais molhar meu jardim à noite.

Há três dias não boto a cara fora de casa durante o dia, só saí pra ir ao cinema com Marido na quarta e pra dar uma passada na Infoilhéus ontem. Tenho passado os dias encalacrada, na cama ou no sofá, lendo, escrevendo ou editando fotos. Em outra situação, isso não seria nada demais, mas o frio me faz ficar deprê, sem ânimo pra nada, como se estivesse doente, mesmo sem estar.

Eu até poderia acreditar que estava doente, sentindo mais frio que todo mundo, se não fosse um certo telefonema que recebi no meio da tarde, de outra pessoa que sentia o mesmo que eu.

As frases se alternavam nos dois lados da linha, com mínimas variantes:
– Estou chata, abusada, esse frio tá me tirando do sério.
– Já vesti moleton, calcei meia, vesti blusa quente, e o frio não passa!
– Minha casa está no lugar mais frio dessa cidade!
– Não aguento mais esse dia branco [que não tem nada com o de Geraldo Azevedo].
– Não é nem uma questão de chuva, é o FRIO mesmo.
– Você acredita que o
www.climatempo.com.br tá dizendo que está fazendo 25º?
– Preciso comprar um termômetro!

E outras frases similares, que serviram pra provar, das duas, uma: Ou estamos certas e o frio está demais para nossa cidade e essa época do ano ou temos mais em comum uma com a outra do que gostos, idéias e afinidades: genética.

Enfim… toda essa conversa aqui é também pra provar pra Intense que eu MEREÇO ganhar a blusa de frio da Coca-cola que ela vai dar pra uma das amigas secretas!!! Afinal de contas, estou largando o vício de Coca-cola, preciso de algo pra colocar no lugar! 😉

Não-post

Nem sei mais há quanto tempo quero escrever decentemente e não consigo. Mas não é só isso. Não consigo também LER os blogs dos amigos. Nem nos links dos tweets eu clico.

Poderia dizer que é falta de tempo, muita coisa pra fazer, muito cansaço… mas não. Tô down, sem graça, sem ânimo… mesmo tendo que enfrentar eventos e compromissos – e enfrentando – não me sinto “vivendo”, sacomé? Tá, não precisa saber, não.

Motivo pra estar assim? Tem, sim. Se são maiores do que os que eu tenho pra ficar bem? Acho que não. Mas quem controla as emoções? Eu não tenho tido esse poder.

Mamis doente, chateações com quem já devia estar morto mas não está, pressão interna pra conseguir um “emprego fixo”, preocupações várias com os babies, crises de enxaqueca voltando, cansaço físico real… pode até parecer pouco pra uma pessoa normal, mas pra mim é pesado.

Nesses últimos dias tenho sentido falta de VIVER de verdade, e acho que minha inerte “vida virtual” de blogueira, twitteira, gtalkeira  me deixa essa sensação. O dia passa, eu fiz um monte de coisa, mas sinto como se não tivesse feito nada.

E tudo isso escrito aqui nem sei se vale a pena ser lido, mas vale ser escrito. É mais um post-vômito daqueles que aparecem de vez em quando.  Alguém aí se tem um desinfetante poderoso mas sem cheiro muito forte, que eu tenho alergia?