Promessas´para 2012

Não, esta não é uma lista de resoluções de fim de ano. Faz tempo que percebi que essas resoluções não dão certo, todas as vezes que tentei, fracasei feio. Mas desta vez, quero repartir com vocês, virtualmente, a mensagem de fim de ano  que fiz (com minhas próprias mãos) para uns poucos amigos que andam por perto.

Consiste numa garrafinha, daquelas com mensagem dentro, que em priscas eras eram lançadas ao mar como pedido de socorro:

Esperança (5)

É pequenininha, cabe na mão…

Esperança (2)

E dentro dela tem uma mensagem, óbvio:

Esperança (6)

Esperança (8)

E nela, um poema de Quintana, complementado por um meu, escreito em 2007, [e publicado aqui, vai lá ler!]  no auge da minha tristeza, mas também, da minha esperança. Como vocês conhecem o final da história (não o final, final, mas a continuação), podem comprovar comigo que vale sempre acolher e alimentar a Esperança!

Mas… cadê as tais “promessas para 2012”???

Aqui estão: pequenos botões de flores em meu jardim, que a cada dia anunciam que vem coisa boa por aí!!!

Jardim 09-10-2011 026 Onze-horas

Jardim 12-10-2011 030 Azaléia

Jardim 12-10-2011 034 Sei-lá-o-nome (SRD)

Jardim 19-12-2011 011 Outra SRD

Jardim 19-12-2011 058 Íris (essas nascerão amanhã!)

22-11-2011 020 Begônia

22-11-2011 024 Onze-horas

Jardim 09-10-2011 024 Mais uma SRD

Jardim 18-12-2011 (5) Lírio

Campo de Girassóis - 20-07-2011 (15) Rosa

Íris - 07-12-2011 - Bel 005 E, é claro, o Girassol!!!

Sim, ainda tem girassol pra florir, e é um dos “filhos únicos”, plantado sozinho num vaso enorme, mas que não chegou nem perto do “campo-de-girassol-numa-planta-só” que Dinah conseguiu. Desisti de querer ter no meu jardim de varanda os girassóis imensos que vi plantados no chão da Fazenda Juliana, vou me contentar com os de tamanho médio que deixam o amarelo tomar conta da varanda e até serem vistos por quem passa na rua!

Por falar neles, olha o e-mail que recebi de Lile esta semana:

“Tive medo de plantar todas as sementes. Plantas e eu não temos uma boa história de amor desde os algodõezinhos com feijão da época da escola. Peguei só seis sementinhas. Fiz três buraquinhos num dos quintais da antiga horta aqui de casa e coloquei duas sementes em cada. Você falou para regar todo dia, mas não fiz isso. É tanta chuva, mas tanta chuva, que fiquei com medo das sementes se afogarem.

Ontem, resolvi usar o mesmo método com sementes de cereja. Nem ideia se vai funcionar. Mas lá estava eu, debaixo da chuva, plantando as sementes de cereja quando resolvi olhar pro canteirinho onde pus o girassol. Hoje, que não choveu, fui lá fotografar pra te mostrar.

Girassol Lile
Olha que lindinho!
Vou plantar as outras e, quando você chegar, vai ter girassol por aqui.
bjo! muito obrigada!”

Então é isso. Os botões são promessas de que as flores vão chegar.E que se depender de mim, terei sempre todo esse colorido para olhar:

04-12-2011 (17)

13-11-2011 018

30-10-2011 011

30-10-2011 014

Girassol 22-11-2011 040

Jardim 09-10-2011 011

Jardim 12-10-2011 026

Jardim 18-12-2011 (10)

Jardim 19-12-2011 002

 

Jardim 19-12-2011 040

Jardim 20-12-2011  (7)

Jardim 21-12-2011 (1)

Jardim 23-11-2011 003

Jardim 23-11-2011 015

Jardim 25-12-2011 004

Jardim 25-12-2011 012

Jardim 25-12-2011 014

Tudo isso me traz uma reflexão: Não tenho sempre flores “chiques”, como orquídeas. lírios e íris. Elas são caras, sensíveis e “de um dia só”. Mas as simples, SRD, comunzinhas, como as onze-horas e os “matos que também dão flores” são mais resistentes e estão lá, iluminando meu dia todos os dias. E deve ser assim a felicidade: é maravilhoso quando acontece algo fantastique, mas isso não é de todo dia nem é “barato”. Já as coisas simples, que temos tanto e por isso mesmo muitas vezes passam despercebidas… é que constroem a felicidade nossa de cada dia.

E pra finalizar, a canção que desde sempre me anima nas horas tristes: Estão voltando as flores, de Paulo Soledade.

Eu, caçador de mim!

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 042

Esta foi a música com que que Milton abriu o show de ontem, no Centro de Convenções. Vocês não têm idéia do turbilhão de emoções dentro de mim.  Lembrei do tempo do Coral do Vitória, onde cantávamos muitas músicas dele, e do quanto essas músicas me falam. Literalmente, “há canções e há momentos que não sei como explicar..” “certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece: Como não fui eu que fiz?”.

Levei a câmera dentro do case, e fiquei quietinha, esperando pra ver se alguém falava algo sobre “não é permitido fotografar” antes de ameaçarem  tomar meu equipamento. Ninguém falou nada, e me senti à vontade pra encostar no palco (sentada no chão, pra não atrapalhar ninguém, que fique claro) e fotografar à vontade. As fotos não são grande coisa em termos de criatividade, já que ele não é o que se pode chamar de artista performático, mas se a emoção pudesse ser transferida para as imagens… ah, seriam explosivas!!!

A platéia estava num diálogo íntimo com o artista, que soube direitinho ir aonde o povo estava. Sinceramente eu não esperava tamanha participação. Não esperava nem que lotasse como lotou. Ilhéus está numa roda viva de shows bons – e relativamente caros – que a gente está precisando fazer escolhas, entre quais ir em detrimento de outros, e o de Milton nãoestava sendo tão comentado assim. Mas estava cheio. [Nós chegamos, Dinah, Marido e eu,  com uma hora de antecedência, já tinha uma fila inacreditável. Passamos por Marta e Tia Suzana que estavam no comecinho. Oh, angústia de viver o que se prega: lá fomos, honestamente, pro final da fila!!! Qual não foi nossa surpresa que, mesmo ficando no final da fila, sentamos uma fileira  na frente delas! Rá!]

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 158 copy

Quase duas horas de música pura, sem defeito. Com tantos pontos altos, que quando eu pensava que não poderia vir algo mais forte… ainda vinha!

Só começar com Caçador de mim… já bateu lá no fundo, mexendo nas minhas memórias. Depois, Coração de estudante, com outras memórias aflorando. Todo mundo cantando junto “E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol, é pra l´pa que eu vou!”, completamente inusitado, já que não é do repertório tradicional dele (está no último CD). Saber, pela boca do próprio, que Cravo e Canela foi composta aqui em Ilhéus, na década de 70, para Dina Sfat, trouxe um novo sentido à música, ou melhor, fez todo sentido!

“Nos bailes da vida”  foi outra pancada forte, quando me relembrou: “para cantar, nada era longe, tudo tão bom…” do tempo em que eu vivia de música, pela música e para a música. Deliberadamente fechei a porta da caixinha da memória, pois já estava ficando insuportável.

E veio a bomba mesmo quando ele sentou no banquinho e pediu que a platéia cantasse “Canção da América” pra ele. E não cantou mesmo, ficou regendo, ouvindo, sentindo… lindo demais!!!

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 126

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 129 copy

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 132

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 145

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 146

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 147

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 148

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 149 copy

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 150

Delícia de noite… que ainda teve a oportunidade de subir no palco – a princípio para fotografar, mas depois pra tietar explicitamente, com direito a um abraço  e uma foto louca feita por marido.

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 182

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 185 copy

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 194 copy

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 207

Milton Nascimento 16-12-2011 Bel 209 copy

Olha meus pés ali no palco!!!

Milton Nascimento 16-12-2011 145

                      Foto: Marido Carlos Mascarenhas

Saímos do show flutuando (pelo menos, eu). E fomos atrás de algo ara comer, mas Ilhéus ainda não aprendeu que depois de um show desse, que terminou meia noite, bares e restaurantes ainda deveriam estar abertos…  TUDO FECHADO! O máximo que conseguimos foi uma água de côco na  Avenida, numa barraquinha perto da Catedral, por pura bondade do dono, pois ele já havia fechado e guardado tudo, mas nos serviu assim mesmo. Mas aproveitamos o restinho da noite pra papear, Marta, Dinah, Marido e eu (tia Su ficou em casa).

Enfim… a nota dissonante foi uma mensagem no meu celular, que só vi depois que estava em casa: Nancy, que não avisou que viria, me viu no palco, ligou, mas o celular estava no silencioso (óbvio) e não nos encontramos! Smiley triste

Crítica musical? Nada! Só registro passional de uma noite linda! Obrigada, Amor, por me proporcionar tudo isso. Sua cumplicidade faz tudo ficar ainda mais lindo e emocionante!

[Ah, e ainda fiquei com um excelente material para o Curso Avançado de Fotografia, no tópico “Fotografia de Palco”.]

Vi por aí #23 – Playing for change

Já faz tempo que não posto aqui uma seleção de links interessantes… o twitter está levando as indicações, em vez do blog. E isso é ruim, pois lá o tempo corre mais rápido do que em qualquer lugar do mundo, e pela quantidade de informação, que borbulha aqui e ali, termina se perdendo muita coisa boa.

Então vou tentar voltar a fazer minha série de “Vi por aí”, e começo com o que deveria ser minha mensagem de ano novo, mas vai demorar demais (ainda faltam 19 dias), e é melhor “dizer” logo.

Recebi por e-mail um  texto que Alene postou no blog dela, com um link do youtube, mas por vários motivos não abri logo o vídeo. E como foi uma mensagem que bateu forte e fundo no coração, deixei pra responder depois, com calma e com a atenção que merecia. Respondi o e-mail dizendo que ainda não havia assistido o vídeo, e que iria responder depois, mas estava mandando aquele e-mail pra ela não pensar que eu não tinha “dado ligança” ao que recebi.

Somente agora à noite fui ver… e quanta emoção! Chamei Marido pra ver comigo, depois vi mais uma vez, e mais outra… e desejei repartir. Não sei se é algo conhecido e eu é que sou a alienada-DDA-desinformada-[insira aqui o adjetivo correspondente] , mas mesmo que você já conheça, assista mais uma vez. Porque não é só a plasticidade das imagens nem o ritmo da música que mexe na gente por dentro enquanto se alterna entre samba, salsa, flamenco, hindu… mas além de tudo isso, a mensagem da letra que resume tudo o que qualquer [e toda] pessoa precisa pra ser feliz!

Peça a Deus que os homens encontrem os seus passos perdidos
E que os sonhos despertem esses olhos dormidos
Que o amor transborde e vivamos em paz
Que os dias terminem com os braços cansados
E a sorte só queira estar ao teu lado
Que a dor não me assombre nem me cause des’pero,
Peça a Deus!

Peça a Deus: que nos mande do céu muita sabedoria;
um amor verdadeiro, que ninguém passe fome;
Um abraço de irmão, que vivamos em paz!
Que terminem as guerras e tambpem a pobreza;
Encontrar alegrias entre tanta tristeza;
Que a luz ilumine as almas perdidas;
E um futuro melhor!

Agora a informação que faz a emoção aumentar ainda mais:

A música faz parte de um projeto Internacional (ONG), cujo nome é Playing for Change (Tocando por Mudança). A cada ano, o projeto envolve músicos de todas as partes do mundo e cria um CD que é vendido e o dinheiro usado para construir escolas de música em país em pobreza extrema em parceria com outras ONGs que ajudam alimentação, educação e saúde.

[Do Youtube]

Gente, já vi ações pra tudo nessa vida, mas pra CONSTRUIR ESCOLAS DE MÚSICA… foi longe, superou todas as minhas espectativas! Ensinar música é um ministério, porque a música é algo divino. E musicalizar crianças (ou adolescentes, jovens, adultos) é precioso demais! Quando vejo as crianças que iniciei no aprendizado da música hoje tocando, cantando, fazendo dela ministério ou profissão… me dá uma felicidade imensa. Sim, eu fiz parte da construção de um mundo melhor!!!

O poeta apaixonado

Estou in love com o CD novo de Chico, que comprei na pré-venda e ouvi as músicas antes, assisti o lançamento na net (notebook conectado na TVzona) com Dinah… e juro que nem tinha gostado.

Foto0322

Mas é aquilo, muitas vezes as canções não são “de assoviar”, e a gente precisa ouvir um monte de vezes pra poder gostar. Até comentei com Didi que gostava mais de Chico no tempo de Marieta, as músicas eram mais ricas de sentimento, de poesia, de tudo. Cheguei a dizer: “A atual (Thais Gulin) não está fazendo bem pra ele…”

Pra entender melhor, quem tiver tempo pode assistir à entrevista dela (TG) no programa do Jô.

(Antes de continuar, vou logo dizendo que existe a grande possibilidade do próprio Chico chegar aqui e ler este post, já que ele agora está na internet, completamente diferente do que mostrou num dos DVDs da série, que eu tenho todos)

Em Off: Achei a Thais um nojo, só porque ela conseguiu fisgar o meuamordavidatoda em meu lugar. Pensem aí: ele ME trocar por ela??? Que absurdo! Mas, enfim, ela conseguiu chegar junto, e eu não. Então me deixem com o meuamordeverdade e apaixonada por meuamordavidatoda mesmo que ele tenha me traído. Engraçado é que com Marieta eu não me sentia traída, talvez porque ela tenha chegado antes de mim, antiguidade é posto, já diz o ditado popular. Mas eu cheguei antes de Thais, então…

Mas ao mesmo tempo em que falo mal desse romance de Chico aqui, vou falar bem. Naquela tarde em que fiquei com Dinah ouvindo as músicas, tentando identificar o momento dele nas letras – já que o disco é completamente autoral – chegamos a uma dolorosa conclusão que nem é nova: Chico está apaixonado e feliz! Por isso as canções não são tão ricas! Já dizia Vinícius: “O poeta só é grande se sofrer”…

Então a moça está fazendo Chico feliz. Como ele mesmo disse, “o disco é cheio de amor pra dar…” e é nesse álbum que pela primeira vez ele se coloca aos pés da mulher. Porque em toda a sua discografia ele representa muito bem a mulher apaixonada, aquela que se rasga pelo seu homem, a que se diminui por seu amor… mas não é como Vinícius, que idolatra a mulher. A não ser em Cecília, não me recordo de outra canção em que ele fosse “o homem apaixonado”. Mas agora… O homem, o sessentão, está arriado pela mocinha, que tem metade da idade dele. Isso seria um mero detalhe, se ele mesmo não tivesse arregaçado os sentimentos em “Essa Pequena”, mostrando a consciência que tem das diferenças entre eles, de que pode nem durar, mas “o blues já valeu a pena”:

Meu tempo é curto
O tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza
O dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito
A nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela

Meu dia voa
E ela não acorda
Vou até a esquina
Ela quer ir pra Flórida
Acho que nem sei direito
O que que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la

Feito avarento conto meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas
Ao vento, ai

As vezes ela pinta a boca e sai
Fique a vontade, eu digo
Take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena

Nem precisa comentar, né?  E completa tudo em “Tipo um Baião”:

Não sei para que
Outra história de amor a essa hora
Porém você
Diz que está tipo a fim
De se jogar de cara num romance assim
Tipo para a vida inteira

E agora, eu
Não sei agora
Por quê, não sei
Por que somente você
Não sei por que
Somente agora você vem
Você vem para enfeitar minha vida

Diz que será
Tipo festa sem fim

É São João
Vejo tremeluzir
Seu vestido através
Da fogueira
É carnaval
E o seu vulto a sumir
Entre mil abadás
Na ladeira

Não sei para que
Fui cantar para você a essa hora
Logo você
Que ignora o baião
Porém você tipo me adora mesmo assim
Meio mané, por fora

E agora, eu
Não sei agora
Por quê, não sei
Por que somente você
Não sei por que
Somente agora você vem
Vem para embaralhar os meus dias

E ainda tem
Em saraus ao luar
Meu coração
Que você sem pensar
Ora brinca de inflar
Ora esmaga

Igual que nem
Fole de acordeão
Tipo assim num baião
Do Gonzaga

 

[Acho que entendi um bocado disso, porque mesmo com a diferença de idade sendo bem menor, já ouvi algo parecido da boca de Marido: “Em que é que eu fui me meter? Eu, que jurei que não casava nunca mais… “ e “A essa altura da vida eu não esperava viver tudo isso…”]

E não são somente essas, não. Praticamente todas as músicas são direta ou indiretamente pra ela. Até a insegurança, o ciuminho disfarçado na afirmação de “Sou Eu” é bonito de se ver: (Nem vou grifar nada, é a música inteirinha!)

Na minha mão
O coração balança
Quando ela se lança
No salão:
Pra esse ela bamboleia,
Pra aquele ela roda a saia,
Com outro ela se desfaz
Da sandália…

Porém depois
Que essa mulher espalha
Seu fogo de palha
No salão…
Pra quem que ela arrasta a asa?
Quem vai lhe apagar a brasa?
Quem é que carrega a moça
Pra casa?
Sou eu!

Só quem sabe dela sou eu!
Quem dança com ela sou eu!
Quem manda no samba sou eu!

O coração
Na minha mão suspira
Quando ela se atira
No salão:
Pra esse ela pisca um olho,
Pra aquele ela quebra um galho,
Com outro ela quase cai,
Na gandaia…

Porém depois
Que essa mulher espalha
Seu fogo de palha
No salão
Pra quem que ela arrasta a asa?
Quem vai lhe apagar a brasa?
Quem é que carrega a moça
Pra casa?
Sou eu!

Só quem sabe dela sou eu!
Quem joga o baralho sou eu!
Quem brinca na área sou eu!

 

Em “Nina”, ele mostra uma situação que viveu com ela: conhecer primeiro via internet, pra depois chegar ao conhecimento ao vivo.

Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que,
embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu

Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu

Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve

Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de Moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou…

Enfim, que bom que Chico está feliz. E apesar das diferenças, ele saiu ganhando a felicidade, e ela… bom, ela será, provavelmente, a única mulher a poder dizer: Chico compôs um CD inteiro pra mim! E isso é dela, ninguém toma! Bléh!

Ops! Eu também ganhei! Em Barafunda, quando ele se mostra um “velho” que está perdendo a memória e não lembra mais quem foi a mulher que “usava a saia amarela quando a Verde e Rosa saiu campeã”,  até EU tenho minha chance! Vejam:

Era Aurora, não, era Aurelia
Ou era Ariela, não me lembro agora
É saia amarela daquele verão
Que rola até hoje na recordação

Foi na Penha, não, foi na Glória
Gravei na memória, mas perdi a senha
Misturam-se os fatos, as fotos são velhas
Cabelos pretos, bandeiras vermelhas…

Foi Garrincha, não, foi de bicicleta
Juro que vi aquela bola entrar na gaveta
Tiro de meta
Foi na guerra, é noite alta
Gritou o astronauta que era azul a terra

Quando a Verde e Rosa saiu campeã
Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul, salve a festa
E salve a floresta, salve a poesia
E salve este samba
Antes que o esquecimento
Baixe seu manto, seu manto cinzento

Foi Glorinha, não, era Maristela
Juro que eu ia até casar na Penha com ela
A vida é bela é…

Não é, era Zizinho, era Pelé
Era Soraya, era Anabela, era amarela a saia
Foi quando a Verde e Rosa saiu campeã
Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul, salve a festa
E salve a floresta, salve a poesia
E salve este samba
Antes que o esquecimento
Baixe seu manto, seu manto cinzento

Era Aurora, não, era Barbarela
Juro que eu ia até o Cazaquistão atrás dela
A vida é bela
É Garrincha, é Cartola e é Mandela

 

Tudo bem, Chico, eu perdoo você ter acrescentado um “a” no final do meu nome. Mas fui eu, sim… fui eu, com a saia amarela! A vida é bela!!! (E eu sou Dura na queda!!!)

85

“…bebeu veneno, e vai morrer… de rir!”

A propósito… Hoje é aniversário de Didi, Chicólatra que nem eu, [e que tem até foto com ele!] e aproveito para desejar muita música de Chico na sua vida, querida!

Didi e Chico