Natal Feliz

Acho que hoje, 24 de dezembro de 2010 foi quebrada a “maldição do natal” na minha vida. Por motivos que não vêm ao caso, já há alguns anos eu tento fazer com que o Natal tenha um significado pessoal diferente, mas não conseguia. [ Nada a ver com o REAL significado do Natal, Jesus vindo ao mundo com a missão de salvar os pecadores.] O Natal estava com gosto de tristeza, gosto de não-quero-lembrar, e por mais que coisas boas acontecessem nessa época, sempre estava presente aquilo-que-era-pra não-ser-lembrado.

E eu ia driblando o Natal de um jeito ou de outro, deixando o tempo passar, fazendo de conta que  aquilo-que-era-pra não-ser-lembrado não tinha existido. Óbvio que não dava certo. Precisava que algo superior, mais importante e bom de verdade acontecesse e passasse por cima daquilo que fazia com que eu passasse os natais fechando os olhos e o coração para o que realmente importava.

Pois aconteceu.

Um pouquinho antecipado, na manhã da véspera do Natal, recebi o diagnóstico negativo de uma possibilidade muito ruim (ou duas). Ainda estou flutuando, meio anestesiada, mas com certeza, a partir de hoje o Natal vai ser o melhor dia do ano, o dia em que recebi a melhor notícia dos últimos tempos.

Vocês não estão entendendo nada? Eu sei, devo estar com a escrita confusa mesmo. Não tentem entender. Só agradeçam a Deus comigo e vamos ter juntos um FELIZ NATAL!!!

O casal de fofonildos em seu 48º aniversário de casamento, em maio/2010

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Passeio Socrático

 

Marta me mandou este e-mail, que me coube bem, ao parar pra pensar em “que presente quero ganhar no Amigo Secreto”. Sim, embora eu já tenha dito que nunca mais entraria numa “brincadeira” dessas, entrei em uma única, este ano. Explico, por partes:

1. “Brincadeira” está entre aspas porque pra mim, brincadeira supõe diversão, supõe pessoas que se querem bem, e supõe que todos os envolvidos saiam da brincadeira satisfeitos, ou se saírem tristes, é pelo fato da brincadeira ter acabado. Na maioria das vezes, minha participação nesse tipo de “brincadeira” é dolorosa.

2. O grupo que resolveu “brincar” de Amigo Secreto este ano, e no qual estou inserida, é beeeem pequeno, com gente que se conhece e se ama, e todo mundo já teve experiências ruins, no assunto. Estamos usando o site www.amigosecreto.com.br e nos divertindo com os bilhetinhos colocados no mural ou enviados anonimamente.

Mas, divago. Isso tudo é pra dizer que por ter entrado na brincadeira, precisei dizer “o que quero ganhar”. Vocês acreditam que eu não quero nada? Quer dizer, querer, eu quero, mas o que eu quero são coisas que não rola pedir num amigo secreto, tipo lentes para minha Nikon e outros equipamentos fotográficos.  O texto de Frei Beto me fez refletir sobre essa ânsia de ter, a gana de conseguir comprar algo, somente porque “todo mundo tem”. A frase final, de Sócrates, é uma paulada no consumismo.

Acabei de ver na TV uma propaganda da Fiat, onde um astronauta na lua, vestido em roupas espaciais olha pro lado e vê o “colega” sem as benditas roupas, e sufocado, por não poder respirar. E ele pergunta: “Peter, você não acha que está faltando alguma coisa?” E o slogan aparece: Na verdade, o que está faltando é um Fiat. Não encontro uma palavra para descrever esta peça publicitária, porque simplesmente não comunica nada, é ilógica e não dá pra dizer, em sã consciência, que ela remete à marca, seja por que caminho for. Tosca. Mas reflete  a realidade contemporânea de que somos empurrados ao consumo para poder fazer parte (ou continuar fazendo parte) do seu grupo social.

E para ser feliz, do que é que eu não preciso???

PASSEIO SOCRÁTICO

Por Frei Beto

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse.

O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira.

NosManuscritos econômicos e filosóficos” (1844), ele constata que “o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós”.
O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.

Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígine cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém.

Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um vinho guardado na adega, uma jóia?

Assim como um objeto se associa ao seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife.
Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em Cinderela…

Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.

Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.

Comércio deriva de “com mercê”, com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas.
Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.

Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo.

“Nada poderia ser maior que a sedução” – diz Jean Baudrillard – “nem mesmo a ordem que a destrói.”

E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo.

“Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo. Olham-me intrigados. Então explico:

Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia:
“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”.

Escapando do Natal

Nos anos anteriores eu escrevi posts sobre o natal, variando entre abstrações religiosas e revoltas existenciais. Este ano quase consigo passar incólume pelo período natalino, com a Retrospectiva em capítulos planejada – e realizada em parte. [Não, não vou parar com ela, mesmo estando bem visível que meus leitores (cof cof) não se interessaram muito.Ela vale muito para mim.]

Ontem até escrevi um post que começava assim: "E, contrariando o espírito natalino que se abate desce sobre os blogueiros nesta noite feliz no dia de hoje, vai um post-cabeça, falando sobre …" Mas com a correria do dia, não consegui terminar, ele será editado e postado oportunamente.

E eu, vou, retardatariamente, escrever sobre a Noite Feliz, que, dessa fez não teve absolutamente nada de natalina.

Não tivemos decoração especial, ceia nem presentes aqui em casa. Mas isso não nos trouxe tristeza ou frustração. Pelo menos, não a mim. Já houve tempo em que eu procurava manter a tradição – criada por mim mesma – de arrumar uma árvore gigantesca, fazer tudo nos conformes. Mas esse tempo passou, o natal foi ficando com cara de quase-nada, até que este ano ele foi NADA mesmo. [Os motivos da transformação eu contei por alto (Leia, eu estava inspirada naquele dia!), mas passaram. Só que o natal continua a ser uma data com cara de esquecimento.]

Mas como eu ia dizendo, não foi motivo de tristeza. A manhã foi de bobeira em casa mesmo, e fomos almoçar na praia, moqueca de peixe e de catado – deliciosas, com direito a briga pela batatinha frita que foi o aperitivo, caranguejo só pra mim (puãs ficaram com Marido) e céu e mar estupidamente azuis.

Fotos Dezembro 2009-1

Clica que aumenta!

À noite, como muita gente já sabia, fui trabalhar, fotografando um casamento em Itabuna. Os filhotes me acompanharam, enquanto Marido foi dar um xêro e passar um pedaço da noite de natal com as netas. Uma das coisas muito boas do casamento foi que em nenhum momento teve cara de natal. Era tudo azul e branco, nada de verde-vermelho-dourado. Outra foi um cinegrafista que além de não me atrapalhar, me ajudou com a luz. As fotos ficaram lindas, revelando bem a emoção do casal, que já convivia há 20 anos e tinha 5 filhos  [Fotos no notebook, e eu no desktop :p ]

Enfim, à meia-noite de ontem estávamos em casa, bem alimentados e tranquilos. Não cheguei nem perto de um Amigo Secreto, não ganhei nem dei presentes, e foi muito bom!

Há quem diga que estou falando cedo demais, pois vamos almoçar com meus pais hoje, e quem sabe ainda aconteça algo não planejado que me faça morder a língua por dizer que escapei do natal de 2009!

Anyway…  Que seja um dia feliz pra todos, independente de ser Natal ou não, de ser uma data que se adore ou odeie, ou de qualquer outra variante.

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PS- O único ar de natal aqui foram os biscoitinhos que assamos na quarta-feira. Receitinha alemã da Geórgia, que rendeu boas risadas na hora da execução. Duas DDAs na cozinha é realmente algo inimaginável. [Quem sabe um dia eu ainda registre detalhes dessa tarde????]

Há, porém, tantas outras coisas…

Eu sei que fiz uma retrospectiva legal de 2008 no post anterior, mas… parafraseando o apóstolo João no final de seu Evangelho, há, porém tantas outras coisas que, para serem descritas, nem todos os posts desse blog seriam capazes de conter.

A começar deste mês de dezembro. Já tomei bronca porque não escrevi sobre o fds que passou aqui comigo, mas é que quando a coisa tem uma dimensão muito grande, fica difícil colocar em palavras. [E agora nem as fotos eu tenho pra colocar aqui…]

Comecei a trabalhar em horário integral, coisa inédita na minha vida: sair de casa de manhã cedo e só voltar à noitinha, almoçando no Posto de gasolina, na cantina ou recebendo quentinha de uma churrascaria chique. (Querem saber? A comida do posto é a melhor de todas e a quentinha da churrascaria chique é uma droga!!!)

Passamos o Natal em Valença, com Felipe e Karol, super-hiper-mega bem recebidos por Gracinha, e aproveitando cada minuto. Posamos de turistas pagando toooodos os micos, desde fotos no coreto iluminado da praça, até flagras pelos repórteres enquanto estávamos na Ilha de Caras (Links das fotos virão em breve).

Na volta, depois de uma viagem tranquila onde o carrinho um-ponto-nada deu o máximo de si e se comportou muitíssimo bem até nas subidas inimagináveis, eu consegui bater o bendito num carro parado. (Pausa para as gargalhadas de vocês). [Deixei cartão com meu contato, mas a vítima não se pronunciou até agora.]

Pra completar, ontem tive uma abençoada sessão comédia com Dinah e Stela enquanto comíamos paçoca (ops! empada!) na pracinha da Irene, e hoje vou trabalhar pela Consultic arrumando o monstro sagrado da poetisa. Alguém por aí me ouviu falar que minha vidinha é monótona???

Bem, está chegando a hora de pegar o ônibus de volta pra casa e é hora de dizer tchau. 😉