Um mês especial – Dia 31

O meme só tem 30 dias, mas como o mês tem 31, vou seguir a Tâmara duas vezes, primeiro postando outro “O que você quiser”, e copiando o “o que você quiser” dela, de ontem, que foi…

Quando eu morrer…

[Tá copiando igualzinho na estrutura, mas modificado no que é pra ser diferente]

Não, eu não penso em me matar, mas um dia irei morrer, como todo mundo, não é? E eu não sei quando vai ser, nem ninguém, graças a Deus, seria um horror saber o dia exato da morte, minha ou de qualquer pessoa. Sai!

Não penso em escrever um post fúnebre, mas informativo,   e aproveito pra fazer um testamento no final.

Então:

Se eu tiver morte cerebral doem meus órgãos, tudo, até a pele! O que eu tinha que não prestava, já saiu, então, pulmão, coração, fígado, rim, olhos, tudo meu é bom, podem doar, na boa!

Eu devo ser enterrada no jazigo da família de minha mãe, se tiver espaço. Mas se não tiver, no jazigo da família de Marido deve ter.

Não mandem coroas de flores, acho aquilo horrível, de péssimo mau gosto! Nem levem aquelas flores horrorosas de defunto, se for para levar flores, que sejam rosas, tá? Mas prefiro mesmo que peguem o dinheiro das rosas e juntem pra dar pra alguém que esteja precisando, podem ser meus filhos, até.

Não usem preto. Adoro preto, sempre usei preto, mas acho muito tosco o povo todo de preto num velório/enterro! Fora que eu vou estar muito feliz, então quero um velório animado, com muita música, e quem quiser chorar, pode chorar, mas de felicidade por ter me conhecido ou de saudade por ter me perdido. Mas não de desespero, tá combinado?

Quando falei que quero um velório animado e com muita música, entendam: Um CD tocando O TEMPO TODO, com as músicas que eu gosto, e se tiver alguém pra tocar ao vivo, eu aceito. Se for na Igreja, não rola botar Chico pra cantar, mas se for num lugar neutro, pode soltar a coletânea toda, que tá bom! E o culto de gratidão eu quero com música animada, nada daquelas coisas tristes e chorosas.

Nem desejem “Meus Pêsames!”, acho tão impessoal… fala que sente muito e tal, mas “meus pêsames” é de doer! Melhor não falar nada do que falar isso. Dá um abraço em quem ficar, e pronto.

Doem minhas roupas e queimem minhas calcinhas!

Por favor, não coloquem “LUTO” no Orkut/Facebook/Msn ou similares que existirem na época! Ah, e deletem meu Orkut/Facebook/Twitter/whatever, mas nunca meus blogs, que é onde ficarei eternizada. (oh, Drama Queen!)

Agora o testamento:

Minha(s) Câmeras fotográficas e demais equipamentos (que eu espero ter um estúdio completo) devem ser doados a um Clube de Fotografia ou algo que o valha, pra que pessoas que amem fotografar e não tenham condições de ter equipamento possam fazer isso.

Meu Piano, fica pra Line, que sempre teve mais prazer com ele do que eu.

Meus livros, doados pra bibliotecas públicas ou se alguém tiver uma biblioteca particular mas acessível ao público, pode ficar.

Não tenho jóias, mas se tiver até lá, deixa pros filhos dividirem entre si, e terem a oportunidade de dar pros meus futuros netos, dizendo: “foi de sua avó” (oow, sweet!)

Minha coleção de Lápis do Mundo Todo fica pra Abelzinho, se ele quiser. Se não quiser, ache alguma criança que queira.

Agora o resto, sério, tipo casa, carro e afins, fica pra quem de direito mesmo!

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Um mês especial – Dia 30

O que você quiser.

Ufa! Cabou! Embora eu tenha sentido menos a angústia que Jady e Intense demonstraram, concordo que esse meme foi longo demais, me lembrem de nunca mais começar algo assim. E olha que estou deixando correr solto o Desafio Literário 2010, nem sei quantos meses tô atrasada, mas depois eu arrumo isso, procrastinação é meu sobrenome, eu sei.

Então se hoje é o que eu quiser, hoje eu não quero nada, quero só riscar da minha listinha de pendências algumas coisas que estão me perturbando o juízo (como a revisão de um livro que eu bestamente me ofereci pra fazer e tô pagando os pecados do mundo inteiro por esse meu repente de boa samaritana) e tentar organizar meus horários pra cumprir meus prazos.

Era tão simples na teoria… De manhã, eu sou MINHA. À tarde, DO MESTRADO. E à noite, DE MARIDO. Mas quem disse??? tô numa enrolação só, e não estou sendo DE NINGUÉM. Bléh.

Segue um texto da Época (perdi o link), que recebi por e-mail, e queria muito estar desfrutando desse sentimento no momento. Mas sei que ainda volto a ele.

Solidão contente

O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas

Ivan Martins

Arquivo Época

IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.
Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.
Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.
Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo , ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.
“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.
Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.
Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.
A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.
A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.
Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?
A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.
Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.
Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.
Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.
Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.
Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.

Um mês especial – Dia 29

O que eu espero, os sonhos e planos para os próximos 365 dias.

Ai, nem quero pensar demais, meu único sonho e plano que PRECISA ser realizado antes de se completarem os próximos 365 dias é DEFENDER A DISSERTAÇÃO DO MESTRADO. Pra isso, preciso tomar tino na vida e deixar de fazer coisas que me tomem tempo, como este meme. Vê só, num mês crucial, eu consegui postar TODOS OS DIAS e em alguns dias, um post extra, além do meme. Eu sou louca, nem precisam me contar.

Então, nessa eu vou indo, pessoas. Mas eu volto, que eu não tenho vergonha na cara.